Com o foco cada vez maior na digitalização dos serviços, os bancos intensificam o fechamento de agências em todo o Brasil. Na Bahia, mais de 130 unidades encerraram as atividades nos últimos cinco anos, obrigando clientes a percorrer trajetos de até 50 quilômetros apenas para sacar dinheiro. O impacto, no entanto, não se limita aos usuários: milhares de trabalhadores estão perdendo seus empregos.
Um levantamento realizado por 11 entidades sindicais em todo o país mostra que, apenas entre janeiro e julho deste ano, ocorreram 2.466 demissões – uma média de 11,74 desligamentos por dia. Na Bahia e em Sergipe, foram 176 funcionários demitidos no período, segundo dados da Federação dos Bancários dos dois estados.
Entre janeiro de 2020 e junho de 2025, 1.651 bancários baianos foram desligados de seus postos de trabalho. O Bradesco aparece na liderança desse processo, responsável por 706 desligamentos em menos de cinco anos no estado. Não por coincidência, a instituição também concentra o maior número de agências fechadas. Entre outubro de 2023 e março deste ano, o Bradesco encerrou unidades, entre agências e postos de atendimento, em 36 cidades baianas.
Bradesco: campeão de demissões e fechamento de agências
Só no primeiro semestre deste ano, quase 12 trabalhadores foram demitidos por dia em todo o Brasil pelo Bradesco. A empresa alega que os funcionários das agências fechadas são realocados em outras unidades. Mas, na prática, sobram gerentes, supervisores e equipes reduzidas, o que leva inevitavelmente às dispensas. Como os fechamentos atingem, em muitos casos, as únicas agências de determinadas cidades, a população fica desassistida e precisa viajar longas distâncias para ter acesso a serviços básicos.
Além do Bradesco, outros bancos também vêm adotando essa política. O Itaú demitiu 344 trabalhadores e o Santander, 219, apenas na Bahia nos últimos cinco anos.
Em Itabuna, o impacto também é sentido. Apenas em 2025, o Bradesco já demitiu 5 funcionários, enquanto o Santander desligou 2 trabalhadores.
O Sindicato dos Bancários de Itabuna e Região tem realizado paralisações e manifestações contra as demissões e o fechamento de agências, denunciando o impacto social e econômico dessas medidas. No entanto, os bancos – em especial o Bradesco – têm se mostrado irredutíveis e irresponsáveis diante das reivindicações da categoria e das necessidades da população.