O burnout, classificado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como fenômeno ocupacional, é resultado direto do estresse crônico causado por ambientes de trabalho adoecedores. Exaustão extrema, distanciamento emocional e queda na produtividade são apenas algumas das manifestações de um sistema que trata pessoas como peças descartáveis.
No Brasil, o cenário é alarmante. Em 2023, o INSS concedeu 288.865 benefícios por incapacidade relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um salto de 38% em comparação a 2022. Por trás dos números estão jornadas exaustivas, metas abusivas e ambientes onde o adoecimento psicológico é naturalizado.
A pressão constante, o avanço da tecnologia e a cultura da hiperconectividade contribuíram para dissolver os limites entre trabalho e vida pessoal. Os resultados são trabalhadores que levam para casa o peso de cobranças incessantes e a angústia da produtividade ininterrupta.
Enquanto isto, o discurso dominante segue deslegitimando o sofrimento psíquico, tratando o adoecimento mental como “frescura” ou “mimimi”. A visão desumana mantém a engrenagem girando, sem que se questione a raiz do problema: a lógica neoliberal que transforma tudo em meta, inclusive a saúde.
Enfrentar o burnout exige mais do que campanhas superficiais. Implica em romper com o modelo de trabalho exaustivo, abusivo, repensar a gestão, exigir ambientes saudáveis, combater metas desumanas e recolocar a dignidade no centro das relações laborais. Nada menos do que isso será suficiente para frear a epidemia de sofrimento que assombra milhares de trabalhadores, diariamente.
Fonte: SBBA