O mercado financeiro reduziu a expectativa para a inflação deste ano pela terceira semana seguida no Boletim Focus, publicado pelo Banco Central (BC) ontem (13). A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou a 4,72%, sendo que na semana anterior estava em 4,80% e há quatro semanas em 4,83%.
Não houve mudanças na projeção de 2026, que está em 4,28%, e de 2027, em 3,90%. Já o cenário de 2028, em comparação com a semana anterior, apresentou redução: passou de 3,70% para 3,68%.
A reavaliação para a inflação de 2025 está em linha com os números de setembro trazidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na última sexta-feira (10), o IPCA do mês anterior apresentou resultado abaixo da expectativa do mercado ao registrar 0,48%. No acumulado de 12 meses a inflação está em 5,17%. Em agosto, o país teve deflação de -0,11%.
De acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN), o centro da meta de inflação é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, ou seja, uma banda de variação entre 1,5% e 4,5%.
Dessa maneira, a projeção de 4,72%, ainda que esteja acima do limite superior, fica muito próxima do limite da meta. Isso indica que, com base nos resultados do IBGE, a inflação oficial demonstra estar controlada e os analistas de mercado, por meio do Focus, apontam que o IPCA já converge para o centro da meta.
Portanto, a principal justificativa do Banco Central para manter a taxa básica de juros em 15% ao ano — o controle inflacionário — perde força.
A situação deveria abrir espaço para o corte da Selic o quanto antes, apesar de a diretoria do BC sinalizar uma possível redução somente a partir do próximo ano. Ainda restam duas reuniões do Comitê de Política Monetária neste ano.
O atual ciclo de alta da Selic começou em setembro de 2024, quando passou de 10,5% a.a. para 10,75% a.a. Em junho deste ano, chegou aos atuais 15% a.a. — o maior patamar desde julho de 2006.
Selic, PIB e câmbio
A previsão para a Selic, principal instrumento da política monetária do BC para controle da inflação, foi mantida em 15% ao ano no Boletim, condição que se mantém há 16 semanas consecutivas. Para os próximos anos, a projeção é de 12,25% em 2026, 10,50% em 2027 e 10% em 2028.
O relatório também manteve a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) desse ano em 2,16%, estimativa que já vem sendo mantida há 5 semanas. Para os próximos anos, o mercado indica crescimento econômico de 1,80% em 2026 (mantido há 4 semanas), de 1,83% em 2027 (na semana anterior estava em 1,90%), e de 2% em 2028.
Quanto ao câmbio, o mercado observa que o dólar deverá encerrar o ano em R$ 5,45. Há quatro semanas o indicativo era de R$ 5,50. Para 2026, a previsão é de que o dólar fique em R$ 5,50 (há quatro semanas estava em R$ 5,60) e depois seja comercializado a R$ 5,51 em 2027 e a R$ 5,58 em 2028.
Fonte: Vermelho