SUPERCAIXA, SUPERDIFÍCIL: RESULTADOS CONSOLIDADOS ATÉ OUTUBRO PROJETAM APENAS 40% DAS AGÊNCIAS E PAS HABILITADOS
A comissão pelas vendas de produtos, vista pelos empregados como forma de reconhecimento, e que tinha seu pagamento esperado após apurações trimestrais, está cada vez mais distante e complicado.
O modelo apresentado neste segundo semestre, batizado pela direção do banco de SuperCaixa, estabeleceu que estes pagamentos passariam a ser feitos semestralmente (portanto, deixando-os mais distantes), e trouxe inúmeras restrições para habilitar os empregados a receber a devida remuneração pelas vendas dos produtos de seguridade que fazem no dia a dia (novas condições que deixam o acesso ao direito mais complicado).
A mudança na alteração do período de pagamento da remuneração (antes trimestral, agora semestral), traz como consequência adicional a redução no valor recebido pelos empregados. Foram mantidos parâmetros através do Times de Vendas (TDV), que apura gatilhos e apresenta classificação de unidades e empregados, com a imposição de mais regras no regulamento, tornando mais difícil a habilitação ao programa:
– exigência da superação do 100% no Resultado.Caixa (apurador de metas da unidade) na unidade/agência;
– exigência de 100% na média do semestre quanto ao item Negócios Sustentáveis (indicador que mensura a qualidade das vendas);
– exigência de 100% na média do semestre quanto ao indicador CSAT (indicador de satisfação do cliente relacionado a reclamações).
A habilitação ao programa exige o cumprimento de todos os requisitos para que os empregados estejam no “jogo”, mas a fotografia de hoje mostra a natureza excludente das regras definidas pela direção da Caixa: das 4.005 agências e PAs, há projeções de que apenas pouco mais de 1.600 delas atenderiam a todos os requisitos e estariam habilitadas para o SuperCaixa quando observados os critérios mencionados anteriormente, de acordo com os resultados consolidados de outubro de 2025. Ou seja, para os empregados de quase 60% das unidades, o esforço realizado não terá qualquer reconhecimento pecuniário por parte da empresa.
O quadro de momento demonstra a injustiça do modelo, que, ao excluir mais da metade dos empregados da rede desvaloriza o trabalho realizado por eles. A injustiça se acentua quando lembramos que o repasse das comissões dos produtos comercializados é recebido pela Caixa independente dos chamados indicadores – empregados que estão no dia a dia e fazem as vendas – estarem habilitados ao programa. Outro fator de desequilíbrio do modelo: as chamadas unidades agregadoras também se beneficiam do trabalho de todos os empregados, independente destes estarem habilitados ou não.
Muitos empregados da Rede apontam dificuldade nas metas de Crédito e Adimplência, essenciais para entrega dos objetivos do resultado.caixa. Qualificar-se para receber os valores devidos pelos itens comercializados durante todo o semestre se torna ainda mais complexo.
A insatisfação dos empregados é enorme. Em agosto, a Apcef/SP somou mais de mil respostas que apontam insatisfação e indignação com o modelo frente a pressão constante pela entrega de metas cada vez maiores. Estas metas maiores se refletem nos resultados da subsidiária: no balanço do terceiro trimestre deste ano, somente nas receitas de corretagem, o resultado já supera em R$ 203 milhões (ou 10,4%) as receitas obtidas no mesmo período em 2024. Na acumulação, formada por consórcio e capitalização, o crescimento das vendas foi ainda mais superlativo, correspondendo à uma variação de 35,4% e 23,9%, respectivamente, em relação à 2024. O lucro da Caixa Seguridade alcançou novo recorde, de R$ 3,219 bilhões até setembro, ante R4 2,598 bilhões no mesmo período de 2024, um aumento de 23,9%. Parece mesquinho não distribuir parte deste resultado com quem o construiu.
Fonte: Apcef sp