Infância blindada da indústria

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A presença de alimentos ultraprocessados nas escolas continua sendo um dos símbolos mais perversos da influência da indústria sobre a vida de crianças e adolescentes. Pesquisa do Idec mostra que a simples proibição desses produtos nas cantinas poderia reduzir em cerca de 13% a prevalência de obesidade entre estudantes de 10 a 19 anos. O dado revela o óbvio: quando a saúde é prioridade, o lucro deixa de comandar as decisões.

O estudo indica que a retirada de bebidas adoçadas e ultraprocessados das escolas reduziria em até 25% o consumo de refrigerantes e sucos artificiais, além de diminuir em 8% a ingestão de guloseimas e salgadinhos. Em contrapartida, aumenta o consumo de água, sucos naturais e frutas — resultados que desmentem o discurso da indústria, acostumada a empurrar produtos baratos, viciantes e altamente rentáveis.

A ofensiva dos grupos alimentícios sobre as escolas nunca foi inocente. As cantinas se transformaram em vitrines para moldar hábitos desde cedo e garantir consumidores fiéis. As consequências estão nas estatísticas: obesidade crescente e doenças aparecendo cada vez mais cedo.

Proibir ultraprocessados nas escolas é mais do que uma medida sanitária: é enfrentar um modelo que transforma direitos básicos em oportunidades de negócio. A saúde pública não pode continuar subordinada à propaganda e ao faturamento de empresas que tratam crianças como alvo comercial.

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