O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários reuniu-se nesta segunda-feira (1º) com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para discutir a “gestão ética da tecnologia” nas relações de trabalho. O encontro foi solicitado pelo movimento sindical diante do avanço de ferramentas digitais de monitoramento e avaliação, que, segundo a categoria, podem violar a privacidade e o bem-estar dos trabalhadores.
Logo no início da reunião, os representantes sindicais apresentaram propostas que poderão orientar futuras cláusulas da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). As sugestões incluem: limitação do uso de tecnologias exclusivamente a questões relacionadas ao trabalho; negociação prévia com o movimento sindical sobre qualquer ferramenta de monitoramento ou avaliação; garantia de intervenção humana em decisões que afetem trabalhadores; e regras específicas para o teletrabalho, assegurando o direito de contestar feedbacks automatizados.
A coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf, Juvandia Moreira, destacou que a tecnologia não pode ser utilizada como instrumento de vigilância abusiva. “Não podemos aceitar que trabalhadores sejam submetidos a hipervigilância que ultrapasse o ambiente de trabalho e afete sua autonomia e saúde”, afirmou. Ela reforçou a necessidade de participação sindical na definição e no acompanhamento dessas ferramentas.
O secretário de Saúde da Contraf, Mauro Salles, ressaltou que os empregados têm direito a saber quais sistemas os monitoram e como esses dados são utilizados. Ele defendeu que nenhuma decisão que possa resultar em punição ou avaliação seja tomada de forma exclusivamente automatizada.
Já a coordenadora do Comando Nacional e presidenta do Sindicato de São Paulo, Osasco e Região (Seeb-SP), Neiva Ribeiro, chamou atenção para a importância da transparência. Segundo ela, episódios recentes de demissões baseadas em monitoramento digital sem prévio conhecimento dos trabalhadores reforçam a necessidade de regras claras para o uso dessas tecnologias.
As negociações devem continuar em nova reunião, ainda sem data definida.