Desde maio do ano passado, tem sido especulada a possibilidade dos Estados Unidos entrarem numa disputa com o Brasil pela operação da Usina Hidrelétrica de Itaipu, realizada em regime Binacional na fronteira entre Brasil e Paraguai. O empreendimento é um dos mais importantes do mundo no que diz respeito à produção de energia.
Os dois países sul-americanos trabalham em conjunto desde 1980. Segundo à direção da Usina, cerca de 10% da energia de posse do Paraguai é vendida ao Brasil, enquanto mais de 80% corresponde ao que é consumido no Paraguai. Apesar da parceria de longa data, os Estados Unidos estão de olho em um eventual acordo com os paraguaios.
“Precisamos estar na mesa para falar sobre nossa parceria com países que têm esta energia, por exemplo, o Paraguai, que tem uma hidrelétrica e estava em um longo acordo com o Brasil, e este acordo agora expirou. Eles estão tentando descobrir o que fazer com esta energia”, declarou em 2025 o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante uma entrevista.
Apesar das declarações polêmicas de Marco Rubio, o Brasil já possui negociações com o Paraguai desde dezembro do ano passado sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, com base no Entendimento Bilateral. A expectativa é de que os países sul-americanos cheguem a um novo acordo para darem sequência ao trabalho na Binacional.
Chanceleres dos dois países, inclusive, confirmaram que as negociações foram retomadas. Há poucas semanas, Mauro Vieira e Rubén Ramírez Lezcano participaram de um encontro que visava o avanço do acordo. Por se tratar de uma grande matriz energética, a Usina de Itaipu gera inspiração em construções de outros países, ao mesmo tempo em que se torna alvo de cobiça de potências como o próprio Estados Unidos.
Fonte: correiodoestado