FEMINICÍDIOS MARCAM INÍCIO DO ANO E DESAFIAM AUTORIDADES E SOCIEDADE

0 228

O ano de 2026 começou mal para muitas brasileiras vítimas de feminicídio e suas famílias. Ainda não há dados consolidados de todo o país, mas o noticiário de janeiro, que ainda nem terminou, já mostrou a gravidade da situação. Um dos destaques mais negativos é o Rio Grande do Sul, que registrou ao menos dez casos.

O número — que já supera janeiro do ano passado, quando houve nove ocorrências — corresponde a cerca de um feminicídio a cada dois dias no estado.

A quantidade de tentativas também foi alta. De acordo com a Polícia Civil do estado, nos primeiros 26 dias do ano, houve ao menos 30 situações em que mulheres quase foram mortas nesse tipo de crime, o que significa mais de uma por dia — em 2025, foram sete. Ao todo, no ano passado, houve 80 feminicídios e 258 tentativas no RS.

O noticiário também apontou ao menos nove casos em Pernambuco, além de outras ocorrências em estados como Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Piauí neste começo de ano.

Apesar das diferenças entre estados, dados colhidos ao longo dos anos mostram a gravidade da situação no Brasil. O ano de 2025 teve o maior número de feminicídios da série histórica, 1.470 casos, média de quatro vidas de brasileiras arrancadas por dia, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O roteiro desses assassinatos é quase sempre o mesmo: mulheres são mortas por parceiros ou ex, em casa, muitas vezes na frente dos filhos e de forma brutal.

O caso mais recente do RS ocorreu na noite desta segunda-feira (26), em Santa Cruz do Sul e seguiu esse mesmo padrão. Paula Gomes Gonhi, de 44 anos, foi morta a facadas em sua própria casa. A suspeita é de que o crime tenha sido cometido pelo seu companheiro. Quem acionou a Brigada Militar foi o filho da vítima, de 17 anos.

O governo tem buscado agir nessas frentes. Balanço publicado no final do ano pelo Ministério das Mulheres aponta para a intensificação das medidas desde 2023.

Entre os destaques do ano passado, a pasta elencou campanhas de conscientização pelo país, o lançamento do Painel de Dados do Ligue 180 (plataforma interativa que reúne e organiza informações sobre os atendimentos), a inauguração de novos equipamentos do Programa Mulher Viver sem Violência, entre outras.

Além disso, destacam-se novas leis sancionadas pelo presidente da República e que foram encampadas pelo governo. Entre elas estão a que aumenta a pena para violência psicológica com uso de IA; a que prevê monitoramento eletrônico do agressor durante medida protetiva; a que proíbe a redução do prazo de prescrição em crimes de violência sexual e a que agrava pena de crimes contra a dignidade sexual e prevê medidas protetivas e monitoramento.

Para 2026, a pasta diz que está prevista a inauguração de 12 novos equipamentos de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres, sendo seis Casas da Mulher Brasileira e seis Centros de Referência da Mulher Brasileira.

Fonte: Vermelho

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.