COPOM AVALIA INICIAR CICLO DE REDUÇÃO DA TAXA DE JUROS EM MARÇO
O Banco Central (BC) divulgou na terça-feira (3) que pode iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que acontece nos dias 17 e 18 de março.
Apesar da sinalização, não há indicativo sobre o tamanho que será este corte. Atualmente em 15% ao ano, os juros reais atingiram o maior nível em 20 anos após a decisão de manter a Selic no atual patamar na reunião da semana passada.
Segundo o BC, na ata sobre a última reunião do Copom, o cenário atual, interno e externo, ainda exige cautela na condução da política monetária. Com isso, o órgão quer dizer que a estratégia em curso de manter os juros elevados se mostrou adequada para segurar a convergência da inflação à meta.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidente, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”, traz a ata.
Mesmo com o indicativo pelo início de um possível ciclo de cortes na Selic, existe a preocupação quanto à magnitude dessa redução. No comunicado, o BC trata a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), somente pelo centro da meta inflacionária, em 3%, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Isso quer dizer que o órgão desconsidera as margens inferior e superior de 1,5% para o seu objetivo. Ou seja, estar no intervalo superior de 4,5% é irrelevante para o Banco, o que demonstra um total descompasso com o próprio CMN e em relação ao cenário econômico nacional.
Política monetária que prejudica o país
Há tempos, sob a justificativa de controle da inflação, o BC tem penalizado o país, em especial quanto à oferta de crédito e ao setor produtivo, ao manter os juros elevados. Ao assumir o cargo de presidente do BC em 1º de janeiro de 2025, Gabriel Galípolo deu sequência à política monetária conservadora herdada da gestão de Roberto Campos Neto.
Havia a expectativa de que o novo presidente do BC tivesse mais habilidade para conciliar a redução da taxa de juros ao passo que a economia brasileira demonstrava resiliência na questão da produção e os melhores índices de empregabilidade da história. No entanto, para desaquecer a economia além do necessário e manter o país como um “paraíso” dos investidores em renda fixa, com títulos atrelados à dívida pública do governo, Galípolo tem liderado uma cruzada para colocar a inflação, medida pelo IPCA, no centro da meta de 3%.
Logo na sua primeira reunião, o presidente do BC e o colegiado do Copom elevaram a taxa Selic em um ponto percentual (p.p.), de 12,25% ao ano para 13,25% ao ano. Na reunião seguinte, em março do ano anterior, outro aumento de um ponto percentual, seguido de nova carga de 0,5 p.p. em maio. Depois, em junho, a taxa de juros chegou aos atuais 15% ao ano, com nova elevação de 0,25 p.p.
Desde então os juros de Galípolo e sua diretoria estão nesse patamar, mantidos por 5 reuniões seguidas mesmo com a sólida redução do IPCA, que fechou 2025 em 4,26% — dentro da margem de tolerância superior da meta de inflação, estabelecida em 4,5%.
Agora será necessário aguardar até março para saber se, efetivamente, o BC vai baixar os juros, sendo que um corte na Selic não acontece desde maio de 2024, quando foi de 10,75% a.a. para 10,5% ao ano.
Fonte: Vermelho