ANTONIETA DE BARROS: PRIMEIRA MULHER ELEITA PARA UM CARGO LEGISLATIVO NO BRASIL

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Antonieta de Barros foi uma educadora, escritora, jornalista e política catarinense. Era uma mulher negra, filha de uma ex-escravizada que aprendeu a ler e escrever, transformando-se em educadora e vendo a educação como um meio de transformação social. Criou uma escola para alfabetizar pessoas carentes ainda na sua juventude.

Ela também ficou conhecida por sua trajetória como escritora e jornalista, atuando em diversos jornais e revistas de Santa Catarina. Defendia a educação e a justiça social e criticava o racismo e o machismo. Foi deputada estadual em dois mandatos, propondo a criação do Dia do Professor e sua celebração em 15 de outubro.

Origem de Antonieta de Barros

Antonieta de Barros nasceu na cidade de Florianópolis, em 11 de julho de 1901, sendo filha de uma lavadeira chamada Catarina de Barros, também conhecida como Catarina Waltrich. A mãe de Antonieta havia sido escravizada durante o período monárquico, conquistando a sua liberdade com a Lei Áurea.

O pai de Antonieta de Barros se chamava Rodolfo José de Barros, mas, no registro de batismo da jovem Antonieta, não constava o seu nome. Sabe-se que ela teve, pelo menos, três irmãos, sendo sustentada pelo trabalho que sua mãe realizava na residência de Vidal Ramos, um tradicional político local.

Falecimento de Antonieta de Barros

Antonieta de Barros faleceu em Florianópolis, no dia 28 de março de 1952, em decorrência de complicações causadas por uma diabetes. Ela tinha apenas 50 anos de idade.

Carreira profissional de Antonieta de Barros

Apesar de ter nascido em uma família muito simples, Antonieta de Barros foi alfabetizada, sendo matriculada na Escola Lauro Müller e na Escola Normal Catarinense. Em 1921, ela concluiu seu curso nesta última instituição educacional, formando-se professora. Antes de concluir os seus estudos, criou um curso de alfabetização popular em sua residência.

A primeira experiência profissional de Antonieta de Barros foi como professora, atuando em diversas escolas da cidade de Florianópolis. Para Antonieta, a educação era fundamental como agente de transformação e por meio dela os desfavorecidos conseguiriam se livrar da exploração que sofriam.

Antonieta de Barros na literatura

Além da educação, Antonieta de Barros se destacou pelos trabalhos que realizou como jornalista e escritora. Ela escreveu mais de mil artigos para jornais de Santa Catarina, além de criar uma revista chamada Vida Ilhoa. Seus textos, de uma mulher negra e pobre, desagradou a muitos no estado.

Eles falavam principalmente de educação, da política local, da situação das mulheres e do preconceito de gênero e racial. Eram escritos por ela sob o pseudônimo de Maria da Ilha. Em 1937, ela publicou um livro chamado Farrapos de ideias, que reuniu dezenas de seus artigos com suas opiniões pessoas sobre a educação e sua importância.

Antonieta de Barros na política brasileira

Além de educação, jornalismo e literatura, Antonieta de Barros atuou intensamente na política catarinense e nacional. Na década de 1920, fez parte da Liga do Magistério Catarinense, atuando na defesa dos profissionais da educação daquele estado. Em 1932, as mulheres conquistaram o direito de votar, e isso fez com que a professora ingressasse na política.

Em 1934, ela se candidatou ao cargo de deputada estadual por Santa Catarina pelo Partido Liberal Catarinense, sendo eleita e assumindo em 1935. Ela foi uma das três mulheres brasileiras a ser eleita para um cargo político, sendo a primeira mulher negra em uma posição do tipo.

Atuou na elaboração da Constituição do estado de Santa Catarina, tendo seu mandato cassado em 1937, quando Getúlio Vargas realizou um autogolpe, dando início ao Estado Novo. Depois que a ditadura varguista se encerrou, ela retornou para a política, filiando-se ao Partido Social Democrático, sendo eleita como suplente de deputada estadual em 1946.

Assumiu no ano seguinte, quando um deputado se afastou do cargo, e ficou marcada por defender diversos projetos em prol da educação. Uma das suas principais ações foi a lei estadual nº 145, de 12 de outubro de 1948. Essa lei instituiu o Dia do Professor em Santa Catarina, celebrado em 15 de outubro. A data comemorativa proposta pela deputada foi transformada em data nacional durante o governo de João Goulart, em 1963.

Grandes feitos de Antonieta de Barros

Entre os grandes feitos de Antonieta de Barros, esteve o fato de ter sido uma das três primeiras mulheres a serem eleitas para um cargo político no Brasil, além de ter conquistado espaços no jornalismo, sendo uma grande escritora e uma grande educadora. Além disso, como política, foi quem estabeleceu o dia 15 de outubro como data oficial para a celebração do Dia do Professor. Antonieta de Barros conquistou todos esses espaços como uma mulher negra, algo muito improvável para o contexto conservador, machista e racista em que ela vivia.

Fonte: Brasilescola

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