A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central gerou críticas de entidades ligadas aos trabalhadores. A decisão agrava o endividamento das famílias brasileiras e não ataca as reais causas da inflação no país.
Com essa taxa, o Brasil permanece no topo do ranking mundial de juros reais, o que encarece o crédito, compromete o consumo e reduz o poder de compra da população. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mais de 78% das famílias estão endividadas, cenário agravado pelos altos custos de financiamento.
O combate à inflação não pode se basear unicamente na elevação dos juros. Existem outros caminhos, como o estímulo ao setor produtivo, à geração de empregos e ao consumo, que historicamente já mostraram eficácia na estabilidade dos preços e no crescimento econômico.
A inflação atual tem sido puxada por aumentos de preços impostos por grandes empresas e oligopólios, e não pelo excesso de demanda da população. Mmanter os juros elevados beneficiam principalmente os detentores de títulos da dívida pública, que recebem altos rendimentos sem gerar produção ou emprego.
A inflação está em patamares historicamente baixos, em torno de 5%, o que não justificaria manter a Selic no nível atual. A meta de inflação adotada pelo BC, de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, por ser pouco realista diante das fragilidades estruturais do país.
O movimento sindical reitera a necessidade de uma política econômica que priorize o bem-estar da população, com crédito acessível e incentivo à atividade produtiva, ao invés de sustentar juros que penalizam trabalhadores e favorecem especuladores.
Fonte: Contraf