Um levantamento do Instituto Fogo Cruzado em 57 municípios mostra que pelo menos 29 mulheres foram vítimas de feminicídio ou de tentativa de feminicídio com arma de fogo entre janeiro e a primeira quinzena de agosto deste ano, aumento de 45% em relação ao mesmo período de 2024.
O principal cenário dos crimes é o ambiente doméstico. Das 29 mulheres atingidas, 15 foram baleadas dentro da própria casa, o espaço que deveria significar proteção, mas que, muitas vezes, se transforma em prisão e ameaça. Outras cinco foram mortas ou feridas dentro de bares.
A pesquisa reforça a face mais cruel do machismo estrutural, que trata mulheres como propriedades descartáveis. O recado é explícito: quando não se submetem à lógica do “dono”, pagam com a vida. Entre os casos, 25 foram praticados por companheiros ou ex-companheiros. Mais grave ainda: sete foram cometidos por agentes de segurança.
Enquanto as mulheres tentam calcular cada passo: como se vestem, com quem se relacionam, o tom de voz que usam, a sociedade ainda ousa culpa-las pela violência que sofrem.
Fontes: SBBA