O Santander segue dando provas de que a busca pelo lucro máximo está acima da valorização dos trabalhadores e do atendimento digno aos clientes. No primeiro semestre de 2025, o banco registrou lucro líquido de R$ 7,520 bilhões no Brasil, crescimento de 18,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Apesar do desempenho positivo, a política adotada pelo banco tem sido de fechamento de postos de trabalho e de terceirização de funções essenciais, desmontando a estrutura física e humana do atendimento.
Demissões em massa
Nos últimos 12 meses, o Santander eliminou 1.173 postos de trabalho, sendo 1.385 apenas no 2º trimestre de 2025. Ao final de junho, o banco contava com 53.918 empregados, contra 55.091 no mesmo período de 2024. No mesmo intervalo, a base de clientes aumentou em 4,5 milhões de pessoas, atingindo 71,7 milhões. Ou seja: mais clientes, menos bancários — e sobrecarga crescente para quem permanece.
No mês de agosto, o Santander realizou mais uma demissão em Itabuna, ampliando a preocupação do Sindicato com a política de cortes adotada pelo banco. Em resposta a esse e a outros ataques contra a categoria, o Sindicato dos Bancários realizou na manhã desta quinta-feira (04/09) uma manifestação em frente à agência local. O ato teve como objetivo denunciar o processo de enxugamento do quadro de funcionários, que sobrecarrega os bancários que permanecem e prejudica diretamente o atendimento à população.
Terceirização que retira direitos
Desde 2019, o banco vem promovendo um processo de terceirização considerado fraudulento pelas entidades sindicais. Trabalhadores são transferidos para empresas do próprio conglomerado, como F1RST, SX Tools, Prospera e SX Negócios, com CNPJs diferentes. Essa manobra tem um objetivo claro: retirar esses trabalhadores da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários, que garante direitos históricos da categoria, e alocá-los em convenções mais frágeis.
Com isso, perdem benefícios importantes como a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o vale-alimentação e vale-refeição que somam mais de R$ 1.900, além do auxílio-creche/babá de R$ 659,67, entre outros. Hoje, apenas 54% dos trabalhadores do grupo Santander possuem vínculo direto com o banco.
Menos agências, mais sobrecarga
Além das demissões e terceirizações, o Santander fecha agências em ritmo acelerado. Foram 299 agências e 184 postos de atendimento (PABs) encerrados nos últimos 12 meses, totalizando 561 pontos de atendimento a menos. Enquanto isso, a relação de clientes por trabalhador saltou de 1.192 para 1.278, escancarando a sobrecarga e a precarização do atendimento.
O paradoxo do lucro
Com um Retorno sobre o Patrimônio (ROE) anualizado de 16,4%, o Santander se mantém entre os bancos mais rentáveis do país. Porém, esse resultado é fruto de uma política que desmonta a estrutura de atendimento, aumenta a pressão sobre os trabalhadores e retira direitos históricos da categoria bancária.
O Sindicato dos Bancários denuncia que a estratégia do Santander não é apenas de “modernização” ou “reorganização”, como tenta fazer crer a direção do banco, mas sim de maximização do lucro às custas da categoria e da população.