MERCADO REDUZ PREVISÕES DE INFLAÇÃO E PROJETA MAIOR CRESCIMENTO DO PIB

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A economia brasileira tem dado sinais consistentes de recuperação, contrariando o discurso de que o país estaria à beira da estagnação ou do descontrole inflacionário. A projeção de crescimento do PIB para 2025 subiu novamente, alcançando 2,17%, enquanto as previsões para inflação seguem em queda contínua. Esses resultados, revelados no boletim Focus do próprio Banco Central, reforçam que o país avança mesmo diante da manutenção da Selic em 15%, uma das taxas de juros mais altas do mundo.

A contradição é evidente: o governo tem conseguido preservar o crescimento, reduzir a inflação e ampliar o consumo das famílias, mas o BC mantém uma postura de contenção, alegando risco inflacionário que não se confirma nos indicadores recentes.

Política monetária emperra crédito e investimento

O mercado espera que o Banco Central mantenha a taxa Selic nos atuais 15% até o fim de 2025, e só reduza gradualmente nos anos seguintes — para 12,25% em 2026 e 10,5% em 2027.

Esses juros extremamente altos refletem uma estratégia conservadora de controle inflacionário, mas também revelam a dificuldade da política monetária em estimular o crescimento. Embora o BC alegue que o efeito das taxas leva até 18 meses para se consolidar na economia, o atual patamar da Selic já trava o crédito e encarece investimentos produtivos.

Ao insistir em juros elevados, o Banco Central prolonga um ciclo de restrição de crédito e desestímulo ao investimento produtivo. O efeito é direto: o custo de financiamento permanece alto, o consumo é contido e as empresas adiam planos de expansão. Mesmo assim, a atividade econômica resiste, sustentada pelo aumento da renda real, pelos programas de investimento público e pela retomada gradual da indústria e dos serviços.

A política de juros altos — concebida para conter a inflação — mostra-se hoje descolada da realidade econômica. Com o IPCA projetado em 4,7% para 2025 e 4,27% para 2026, dentro da margem de tolerância da meta contínua de 3%, já não há justificativa técnica sólida para manter o país em um ambiente de crédito sufocado.

Dólar, comércio exterior e investimento mantêm estabilidade

O Boletim Focus mostrou estabilidade nas projeções para o câmbio e o investimento estrangeiro direto (IED). O dólar deve encerrar 2025 em R$ 5,45 e 2026 em R$ 5,50, indicando relativa tranquilidade cambial.

O superávit da balança comercial, porém, foi ligeiramente revisado para baixo: de US$ 62 bilhões para US$ 61,15 bilhões em 2025. Já o ingresso de investimento estrangeiro direto deve permanecer em US$ 70 bilhões por ano, segundo o mercado.

Esses números reforçam a percepção de que, embora o Brasil mantenha fundamentos externos sólidos, há falta de dinamismo interno — especialmente em investimento produtivo e inovação.

Resultados positivos expõem contradição no BC

O Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central, tem se tornado um termômetro do desencontro entre os resultados da economia e a condução da política monetária. Nos últimos meses, as projeções de inflação têm recuado de forma consistente, enquanto as estimativas de crescimento permanecem estáveis ou em leve alta.

Ainda assim, a autoridade monetária prefere manter o freio de mão puxado. Mesmo com a inflação controlada e o câmbio relativamente estável — o dólar projetado em R$ 5,45 para o fim de 2025 —, a Selic deve encerrar o ano no mesmo patamar de 15%, segundo o próprio BC.

Essa escolha tem custo elevado: além de limitar a capacidade de investimento das empresas, o juro alto pressiona o orçamento público, encarecendo a dívida e restringindo a capacidade de o governo ampliar políticas sociais e de infraestrutura.

Crescimento com esforço público e consumo interno

Sem espaço no crédito e com juros proibitivos, o setor privado avança com cautela. Para evitar uma desaceleração mais profunda, o governo tem apostado em estímulos fiscais, no investimento público e em políticas de reindustrialização. Programas como o Novo PAC e a retomada do crédito via bancos públicos ajudam a sustentar a atividade, enquanto o consumo das famílias permanece como motor central da economia.

Essa dinâmica, porém, tem limites: sem uma redução consistente da taxa básica, o crescimento tende a ser menor do que o potencial do país permitiria.

Apesar da cautela do mercado, a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 subiu ligeiramente — de 2,16% para 2,17%. Para 2026, a expectativa foi mantida em 1,80%.

A variação modesta sinaliza que os analistas não esperam uma recuperação robusta, mas reconhecem algum fôlego adicional da economia, impulsionado pelo consumo das famílias e exportações agrícolas. Ainda assim, a combinação de juros altos, crédito restrito e inflação acima da meta mantém o cenário de crescimento lento e desigual.

Política monetária precisa se alinhar à realidade

A queda da inflação e o avanço moderado do PIB indicam que há espaço para um realinhamento da política monetária. Com o sistema de metas contínuas, o controle de preços já opera dentro dos limites previstos, e a inflação está longe de representar ameaça estrutural. A insistência do Banco Central em manter juros altos, portanto, reflete mais uma opção política e conservadora do que uma necessidade econômica.

Enquanto a autoridade monetária insiste em agir como se o país ainda enfrentasse risco de descontrole inflacionário, o governo segue provando que é possível crescer com responsabilidade fiscal, estabilidade e inclusão social — mesmo com a economia andando contra o vento dos juros.

Fonte: Vermelho

 

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