GT de Saúde cobra explicações do Itaú sobre convocações indevidas, canal de denúncias e descontos em contracheques
Convocações indevidas para ACL têm preocupado bancários afastados.
Sindicatos relatam que trabalhadores em licença médica estão sendo chamados pelo Itaú para ACL, muitas vezes com ameaça de advertência — o que não é permitido para quem está com contrato suspenso. Há ainda casos de empregados que já passaram por exame de retorno e continuam sendo convocados.
O banco afirmou que as avaliações servem apenas para entender o motivo do afastamento e que deveriam ser chamadas somente pessoas com alta do INSS ou aguardando benefício. Disse também que a ACL não é obrigatória e não gera advertência, e irá verificar mensagens indevidas.
Representantes dos trabalhadores cobraram respeito à legislação e transparência. Segundo Rosângela Lorenzetti, bancários fragilizados têm sido pressionados, o que agrava o adoecimento.
Outra preocupação é o canal de denúncias, considerado inseguro por expor denunciantes e atrasar investigações. O fluxo atual — que começa ouvindo o denunciado — foi criticado. O Itaú levará o Ombudsman à próxima reunião para discutir ajustes.
Problemas também persistem no IU Conecta, que limita arquivos a 2 MB e só permite anexar novo atestado após o encerramento do anterior.
Sobre os e-mails de retorno ao trabalho, o GT apontou que o envio de três mensagens antes da alta do INSS tem gerado pressão. O banco enviará os textos para revisão conjunta.
Os sindicatos ainda cobraram explicações sobre descontos no contracheque durante afastamentos. O Itaú levará um representante da folha de pagamento para esclarecer as rubricas.
O banco apresentou o programa Linha de Cuidado, feito com o Grupo Fleury, que prevê consultas e possíveis exames com coparticipação. O GT defendou que, por ser iniciativa do banco, os exames não deveriam gerar custos. Rosângela destacou que, sem enfrentar metas abusivas e assédio moral, qualquer programa de saúde será incompleto.
Sindicatos são essenciais aos trabalhadores
O trabalhador brasileiro reconhece a importância do sindicato. É o que afirmam 68% dos entrevistados da pesquisa O Trabalho e o Brasil, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Entre outros aspectos abordados na pesquisa está a redução da jornada de trabalho: 80% declaram ser favoráveis à discussão sobre o tema; 63,8% pedem melhores salários e 36,6% querem bons empregos, exibindo a exaustão do brasileiro no ramo profissional.
A pesquisa reforça que o trabalho das entidades sindicais é fundamental não só para frear a ofensiva patronal, de retirada de direitos, como para obtenção de conquistas.
Apesar do reconhecimento, 52,4% dos entrevistados afirmam não conhecer de forma concreta a atuação do sindicato que os representa. O fato se deve, entre outras coisas, à precarização e fragmentação dos trabalhadores, sobretudo depois da reforma trabalhista, aprovada em 2017 por Temer, que atacou as entidades sindicais, ampliou a informalidade, contrários precários e terceirização.