8M LEVA MULTIDÕES ÀS RUAS NO BRASIL E NO MUNDO CONTRA A VIOLÊNCIA
Milhares de mulheres foram às ruas neste 8 de março em cidades de todo o Brasil e em diversos países para marcar o Dia Internacional da Mulher com protestos contra o feminicídio, a desigualdade e a violência de gênero. As mobilizações reuniram movimentos feministas, sindicatos, organizações sociais e lideranças políticas que denunciaram a persistência da violência contra mulheres e cobraram políticas públicas mais efetivas.
As manifestações ocorreram em um contexto preocupante: o Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com mais de 1.400 casos, segundo dados oficiais, cenário que tem impulsionado a mobilização feminista nas ruas.
Em várias capitais brasileiras, atos denunciaram a violência machista e reivindicaram igualdade de direitos, melhores condições de trabalho e políticas de proteção às mulheres.
Mobilizações pelo Brasil
Em São Paulo, milhares de mulheres marcharam pela Avenida Paulista mesmo sob chuva forte, exigindo medidas concretas contra a violência de gênero e defendendo pautas como o fim da escala de trabalho 6×1, frequentemente criticada por ampliar a sobrecarga das mulheres trabalhadoras.
No Rio de Janeiro, milhares de manifestantes ocuparam a orla de Copacabana, onde cruzes foram fincadas na areia com o lema “Parem de nos matar”, em memória das vítimas de feminicídio. O protesto ocorreu no mesmo bairro onde, semanas antes, uma adolescente de 17 anos foi vítima de estupro coletivo, caso que provocou indignação nacional.
Na capital mineira, Belo Horizonte, manifestantes também denunciaram a violência contra as mulheres. Cruzes foram colocadas em espaços públicos representando vítimas de feminicídio no estado, transformando a mobilização em um ato de denúncia e memória.
Em Porto Alegre, uma performance teatral marcou a marcha: manifestantes carregaram sapatos femininos manchados de vermelho, simbolizando mulheres assassinadas no estado, enquanto gritavam os nomes das vítimas.
A luta das mulheres também ecoa no mundo
As mobilizações do 8 de Março não se limitaram ao Brasil. Em diversos países, multidões ocuparam as ruas com reivindicações semelhantes, denunciando violência de gênero, desigualdade salarial e o avanço de políticas conservadoras que ameaçam direitos das mulheres.
Na Espanha, marchas massivas tomaram cidades como Madri e Barcelona, onde manifestantes defenderam igualdade e protestaram contra a violência machista. Algumas manifestações também levantaram bandeiras contra guerras e conflitos internacionais.
Na França, dezenas de milhares de pessoas participaram de marchas feministas. A ativista Gisèle Pelicot, que se tornou símbolo da luta contra a violência sexual após denunciar o próprio ex-marido e seus cúmplices, discursou diante da multidão.
Feminismo nas ruas
No Brasil e no mundo, o 8 de Março reafirmou que a data vai muito além de homenagens simbólicas. Nas ruas, as manifestações transformaram o luto pelas vítimas da violência em mobilização política e em pressão por mudanças estruturais.
Entre as principais reivindicações presentes nos atos estiveram:
- combate ao feminicídio e à violência de gênero;
- igualdade salarial e de direitos;
- redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1;
- ampliação de políticas públicas de proteção às mulheres;
- defesa da democracia e dos direitos sociais
A presença massiva de mulheres nas ruas reafirma que o 8M continua sendo, sobretudo, um dia de luta coletiva por direitos, igualdade e justiça.
Fonte: Vermelho