SANHA DE TRUMP AMEAÇA SOBERANIA BRASILEIRA SOBRE PORTO DE SANTOS

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A ofensiva do governo de Donald Trump para conter o avanço global da China encontrou um novo e estratégico campo de batalha: o Porto de Santos, no litoral Sul do estado de São Paulo. O que antes era tratado como uma questão de logística e eficiência comercial agora é abertamente discutido pelos Estados Unidos como uma questão de “segurança nacional” e “predominância hemisférica”.

O recado de Washington sobre o Porto de Santos

Na primeira semana de março (5), no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, subiu o tom durante o Brazil Logistics & Supply Chain Forum, com empresários, especialmente, do setor portuário. Segundo os participantes, Murakami pôs as garras de fora ao afirmar que não seria do interesse de Washington que o leilão do Tecon 10 — um projeto de  megaterminal de contêineres avaliado em R$ 6,45 bilhões com contrato de 25 anos — terminasse com a vitória de uma empresa chinesa.

O diplomata — sem mencionar a China pelo nome — usou termos como “riscos de dependência em ativos estratégicos” e “parceiros confiáveis”, para insinuar que os EUA, sob Trump, veem empresas chinesas (como a Cosco, que construiu o porto peruano de Chancay) como ameaça à segurança, por poderem dar a Pequim controle sobre rotas comerciais vitais. Analistas interpretam as palavras de Murakami nesse contexto como um recado óbvio: “Evitem chineses no leilão do Tecon 10”.

A fala de Murakami não é um fato isolado, mas parte da “Política Marítima” da era Trump, que visa restaurar a dominância dos EUA nos oceanos. Em abril de 2025, Trump impôs tarifas de 100% sobre guindastes chineses   (Ordem Executiva 14257) e iniciou investigações contra práticas logísticas da China. No Brasil, o Porto de Santos é o maior da América Latina e escoa a maior parte da produção de soja e minério do país. Para os EUA, permitir que a China controle um terminal deste porte no coração do agronegócio brasileiro é visto como uma perda de terreno “inaceitável”.

O fantasma de Chancay e a soberania regional

O nervosismo da Casa Branca já tem um recalque geográfico: o Porto de Chancay, no Peru. Inaugurado em novembro de 2024 e financiado com US$ 3,5 bilhões pela estatal chinesa Cosco Shipping, Chancay é hoje o maior porto da América do Sul. Ele funciona como um “hub” que liga diretamente a região à Ásia, reduzindo drasticamente o tempo de viagem e os custos de frete.

Na paranoia do Comando Sul dos EUA (Southcom), Chancay é o exemplo perfeito do que chamam de infraestrutura de “duplo uso”: instalações que, embora comerciais, poderiam servir de base para a Marinha chinesa ou para o monitoramento do comércio regional. Há mais de um ano, a embaixadora dos EUA em Lima, Lisa Kenna, advertiu o governo peruano sobre a presença da China. No entanto, para analistas peruanos, as intenções norte-americanas são a verdadeira ofensa à soberania que ocorre quando uma potência externa tenta ditar com quem os países devem ou não fazer negócios.

A estratégia atual dos EUA busca pressionar as nações a barrar investimentos chineses em setores vitais como energia, 5G e logística. Essa postura ignora a necessidade de investimento em infraestrutura que os países da região possuem. Enquanto a China oferece financiamento e tecnologia para megaprojetos como Chancay, a resposta de Washington tem sido baseada em sanções, tarifas e pressão diplomática para desidratar a influência asiática.

Apesar das investidas de Murakami e da retórica agressiva de Trump, o governo brasileiro tem mantido o foco na eficiência logística e na atração de investimentos diversificados. O leilão do Tecon 10, previsto para o segundo semestre de 2026, segue os ritos da Antaq e do Ministério de Portos e Aeroportos. Os portos  brasileiros são responsáveis por 97% do comércio exterior brasileiro.

O desafio para o Brasil é não abrir mão da autonomia nacional. Ceder às pressões de Washington para excluir empresas chinesas, além de ferir a soberania, dificulta e encarece o desenvolvimento da infraestrutura nacional.

Fonte: Vermelho

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