MAIORIA NAS URNAS: MULHERES CHEGAM A 52,84% DO ELEITORADO NO BRASIL

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As mulheres representarão 52,84% do eleitorado brasileiro nas eleições de 2026. São 83.877.126 eleitoras aptas a votar, um contingente suficiente para definir os rumos da disputa presidencial. Segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado feminino cresceu 1,83% em relação às eleições gerais de 2022 e consolida as mulheres como o principal segmento eleitoral do país.

Do outro lado, o eleitorado masculino soma 74.845.001 votantes, o equivalente a 47,16% do total. A diferença entre homens e mulheres supera 9 milhões de pessoas, uma distância que ajuda a explicar por que, a pouco mais de dois meses da eleição, o voto feminino passou a ocupar posição central nas estratégias dos principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto.

Os números chegam após semanas em que a pauta das mulheres dominou o debate político. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou uma agenda voltada ao combate ao feminicídio, à autonomia econômica feminina e ao fortalecimento de políticas públicas, o principal nome do bolsonarismo na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), viu sua tentativa de aproximação com as eleitoras ser atravessada por sucessivas crises envolvendo lideranças do próprio campo político.

Maioria consolidada

A predominância feminina no eleitorado brasileiro não é um fenômeno recente, mas vem se ampliando a cada eleição. Em 2014, o país contava com 74,4 milhões de eleitoras. Quatro anos depois, esse contingente subiu para 77,3 milhões. Em 2022, chegou a 82,3 milhões e, agora, alcança 83.877.126 mulheres aptas a votar. Em 12 anos, o Brasil ganhou quase 9,5 milhões de eleitoras, consolidando as mulheres como o maior contingente eleitoral do país.

Os dados do Tribunal Superior Eleitoral também mostram que a maior concentração de eleitoras está entre 25 e 49 anos, faixa etária que reúne mulheres em plena vida produtiva e frequentemente responsáveis pelo sustento e pelos cuidados com filhos, familiares e idosos. É justamente entre esse segmento que temas como geração de emprego e renda, igualdade salarial, acesso à educação, combate à violência de gênero, saúde e ampliação da rede de cuidados tendem a ocupar posição central no debate público.

Esse cenário ajuda a explicar por que o voto feminino passou a ocupar posição estratégica na sucessão presidencial. Mais do que disputar a preferência da maioria do eleitorado, os candidatos terão de apresentar respostas concretas às demandas de um grupo cada vez mais decisivo para definir os rumos políticos do país.

A disputa pelo maior eleitorado do país

A centralidade do eleitorado feminino já produz efeitos concretos na corrida presidencial. Nas últimas semanas, governo e oposição intensificaram movimentos para dialogar com as mulheres, mas partiram de estratégias distintas.

Desde o início do terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem vinculado a pauta feminina à ampliação de políticas públicas. A recriação do Ministério das Mulheres, a Lei da Igualdade Salarial, a expansão das Casas da Mulher Brasileira, o Plano Nacional de Cuidados e o reforço às ações de enfrentamento à violência de gênero passaram a compor um dos eixos da atuação do governo. Mais recentemente, Lula voltou a defender o endurecimento das penas para autores de feminicídio e associou a autonomia econômica das mulheres à possibilidade de romper ciclos de violência.

No campo da oposição, o desafio de conquistar novas eleitoras passou a conviver com outro obstáculo: administrar as próprias contradições. A tentativa de Flávio Bolsonaro de construir uma agenda para as mulheres tem sido sucessivamente ofuscada por declarações e movimentos que voltam a colocar em evidência a relação do bolsonarismo com políticas públicas de proteção e com direitos historicamente conquistados pelas mulheres.

O episódio envolvendo a Lei Maria da Penha sintetiza essa dificuldade. Menos de 48 horas depois de lançar o programa Brasil por Elas, Flávio desqualificou a principal legislação brasileira de combate à violência doméstica. O resultado foi que a campanha deixou de discutir sua nova agenda para as mulheres e passou a responder por uma declaração que atingiu um dos principais símbolos da proteção aos direitos femininos.

Mais do que um episódio isolado, a declaração passou a integrar uma sequência de acontecimentos que fragilizou a estratégia de aproximação com o eleitorado feminino. O rompimento político com Michelle Bolsonaro, as manifestações de aliados e, agora, a desqualificação da Lei Maria da Penha acabaram produzindo um efeito inverso ao pretendido pela campanha: em vez de ampliar o diálogo com as mulheres, reforçaram o contraste entre dois projetos que tendem a disputar esse eleitorado em 2026 — de um lado, a defesa da ampliação de direitos e políticas públicas; de outro, um campo político que segue confrontado por críticas em relação à sua trajetória no debate sobre os direitos das mulheres.

Muito além da campanha

Se, para partidos e pré-candidaturas, o eleitorado feminino representa um ativo decisivo na disputa presidencial, para organizações do movimento de mulheres a questão extrapola o calendário eleitoral.

No 12º Congresso Nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), realizado no fim de junho, em São Paulo, dirigentes defenderam que a capacidade de organização das mulheres será determinante não apenas para o resultado das urnas, mas para a defesa da democracia diante do avanço da extrema direita.

Ao abrir os debates, a presidenta nacional do PCdoB, Nádia Campeão, afirmou que o país vive uma disputa que vai além da sucessão presidencial e defendeu que a participação das mulheres será estratégica na definição dos rumos políticos do Brasil nos próximos anos.

Sob essa perspectiva, os números divulgados pelo TSE ganham um significado que vai além da estatística eleitoral. A maioria feminina nas urnas não representa apenas o maior contingente de votos do país, mas um segmento social cuja capacidade de mobilização passou a ocupar lugar central na disputa por projetos políticos distintos para o Brasil.

O peso político do eleitorado feminino

Quando as mulheres representam mais da metade do eleitorado brasileiro, políticas de enfrentamento à violência, igualdade de oportunidades, valorização do trabalho de cuidado e ampliação de direitos deixam de ser temas setoriais para ocupar o centro do debate nacional.

Com 83,8 milhões de eleitoras aptas a votar, a eleição de 2026 será decidida, em grande medida, pela capacidade dos projetos em disputa de responder às demandas da maioria do eleitorado. É nesse terreno — entre políticas públicas, direitos e democracia — que tende a se travar uma das disputas mais decisivas da sucessão presidencial.

Fonte: Vermelho

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