TRUMP MOBILIZA COMITIVA PARA QUESTIONAR URNAS NO BRASIL; ITAMARATY NEGA VISTOS

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Informações do jornal norte-americano The Washington Post, publicadas dia (24), apontam que o governo dos Estados Unidos irá enviar uma comitiva ao Brasil, com pelo menos dois altos funcionários do Departamento de Estado, para uma missão que pretende atacar a transparência e a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

De acordo com a publicação, as informações foram repassadas por autoridades brasileiras e estadunidenses em anonimato. Caso essa situação se confirme, será uma evidente interferência do governo Donald Trump nas eleições de 2026.

A grave denúncia acirra ainda mais a tensão entre Washington e Brasília. A Casa Branca tem adotado uma postura arrivista ao aplicar o tarifaço e atacar o Pix. Essas ações têm em vista o apoio dado por Trump à família Bolsonaro e coadunam com o recente ataque às urnas de votação brasileiras iniciado por Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à presidência da República.

Segundo o jornal, os altos funcionários pretendem chegar ao Brasil algumas semanas antes do 1º turno, em 4 de outubro. O Itamaraty monitora a situação.

Trump escalou para a viagem Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado. Samson é conhecido pelo proselitismo da extrema direita e por viajar a outros países para atiçar grupos conservadores.

Segundo The Washington Post, integrantes da diplomacia brasileira afirmaram ter sido informados da missão e disseram que o governo atuará para impedir qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral. Uma autoridade classificou a iniciativa como incompatível com a democracia brasileira e afirmou que o país defenderá a integridade do sistema de votação. A suspeita é de que os enviados pretendam se reunir com críticos das urnas eletrônicas para produzir um relatório que questione a confiabilidade das eleições. O Departamento de Estado dos EUA confirmou a viagem, mas não informou o objetivo da missão.

Apesar das alegações de fraude vindas do governo Trump, a publicação norte-americana destaca que as urnas eletrônicas brasileiras continuam sendo consideradas seguras por observadores internacionais. O embaixador Benoni Belli afirmou ao jornal que todas as missões internacionais desde 2018 validaram o sistema, enquanto o especialista Salvador Romero o classificou como um dos mais robustos da América Latina. O periódico também afirma que o interesse da atual gestão dos EUA pelo tema faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação com grupos conservadores da região.

Vistos negados

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) negou os vistos dos dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que pretendiam viajar a Brasília.

Segundo fontes do governo brasileiro, a decisão foi tomada após o Itamaraty avaliar que a visita tinha relação com a ofensiva de Flávio Bolsonaro para desacreditar a lisura do processo eleitoral e lançar dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Fonte: Vermelho

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