Após mais de 24 horas de negociações ininterruptas entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, é rodada chegou ao fim na tarde de sábado (29/08) com uma proposta da Federação Nacional dos Bancos que, embora não contemple tudo o que a categoria reivindicava, contém avanços importantes diante de um cenário extremamente complexo.
Foram 13 rodadas de negociações em quase dois meses, marcadas por tentativas dos bancos de impor reajuste abaixo da inflação, dividir a categoria, retirar direitos, congelar verbas e enfraquecer a mesa única de negociação. Ao final do processo, a proposta assegura reposição integral da inflação (INPC) mais 0,6% de aumento real em 2026 e 2027, com impacto sobre salários, vales alimentação e refeição, auxílio-creche/babá e PLR, tanto na parcela básica quanto na adicional.
A proposta também traz avanços em cláusulas sociais, como a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, medidas de combate ao assédio praticado por clientes, regras de transparência e limites para o monitoramento digital, direito à desconexão e abono do dia de paralisação de 20 de agosto para as bases que aprovarem a proposta.
Outro ponto importante é a criação de um programa de indenização, qualificação e recolocação para trabalhadores demitidos em razão do fechamento de agências. A medida prevê a atuação de uma consultoria especializada, elaboração de planos individuais de recolocação, acesso a cursos de qualificação e inclusão em banco de talentos. Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos fecharam 9,5 mil agências. Somente no primeiro semestre deste ano, foram 669 encerramentos entre os maiores bancos do país.
Decisão que exige responsabilidade
O movimento sindical avalia que a proposta poderia avançar mais. A posição era pela continuidade da negociação para buscar conquistas maiores, especialmente diante da força e da capacidade econômica dos bancos.
Mas negociação coletiva não se faz ignorando a realidade. E, neste momento, é preciso ter responsabilidade.
O fim do princípio da ultratividade, retirado pela reforma trabalhista do governo Temer, mudou profundamente as condições em que as entidades negociam. Antes, as cláusulas de um acordo ou convenção coletiva permaneciam válidas até que uma nova norma fosse assinada. Hoje, essa garantia não existe.
Isso torna ainda mais delicada uma decisão de ruptura das negociações. Uma greve não se faz apenas com disposição de luta. Ela exige unidade, mobilização e condições concretas para ser sustentada. E, sobretudo, exige que as entidades tenham responsabilidade sobre as consequências de cada decisão tomada em nome de toda a categoria.
Fonte: SBBA