A articulação do Sindicato dos Bancários da Bahia, Federação da Bahia e Sergipe e da AGECEF Bahia com o deputado Daniel Almeida (PCdoB/BA) é mais um reforço para negociação sobre o plano de saúde. Ontem (01/09), às entidades levaram à direção do banco os problemas com o convênio médico e a necessidade de mudanças urgentes, sobretudo o fim do teto de 6,5% da folha de pagamento.
A reunião contou com a participação do presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, da presidente da AGECEF Bahia, Karem Santana, da presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andréia Sabino, e Christiane Alencar, diretora Institucional da AGECEF Bahia. Pela Caixa, participaram o vice-presidente Alexandre Amorim, o superintendente nacional de Relações Institucionais, Marcelo Brettas, e a assessora da Presidência, Salete Cavalcante.
A iniciativa teve ainda a participação dos deputados federais Daniel Almeida, Inácio Arruda e José Neto, que manifestaram apoio à luta dos empregados da Caixa.
A presidente da AGECEF Bahia, Karem Santana, reforçou durante a reunião que a questão do Saúde Caixa ultrapassou qualquer divisão existente na categoria. Para as entidades, a defesa do plano e, principalmente, do pacto intergeracional, tornou-se uma pauta central para empregados, aposentados e dependentes, incluindo os empregados pós 2018.
Ressaltou que a categoria não aceita a ruptura do pacto intergeracional, princípio fundamental para a sustentabilidade e o caráter solidário do plano.
A preocupação é que mudanças no modelo de custeio transfiram cada vez mais o peso financeiro para os empregados, justamente em um momento de forte desgaste físico e mental da categoria.
As entidades também destacaram que o Saúde Caixa não deve ser tratado como despesa. O plano representa uma política de valorização dos empregados e contribui para o sentimento de pertencimento à empresa.
Outro ponto apresentado foi a necessidade de a Caixa aperfeiçoar a gestão do plano, buscando alternativas para reduzir custos e garantir a sustentabilidade sem penalizar os trabalhadores.
É inaceitável solucionar os problemas financeiros do Saúde Caixa simplesmente aumentando a participação dos empregados no custeio.
É fundamental, antes de tudo, uma gestão mais eficiente, com medidas capazes de enfrentar as causas do aumento das despesas e preservar o caráter coletivo do plano.
Um dos principais resultados da reunião foi uma sinalização apresentada pela direção do banco sobre o limite de custeio.
O banco admitiu a possibilidade de elevar o teto de contribuição de 6,5% para 8%, ainda não resolvendo uma das principais reivindicações apresentadas pelas entidades.
A proposta, inclusive, já teria sido acolhida pela SEST e agora depende de aprovação do Ministério da Fazenda.
A mudança estaria vinculada ao momento do pagamento da parcela da Caixa referente ao 13º salário, utilizando o índice de 8% para viabilizar a antecipação de 2026/2027 e contribuir para a sustentabilidade financeira do plano.
Apesar da sinalização, as entidades ressaltam que qualquer decisão será tomada junto aos empregados e que o resultado das assembleias seria respeitado e devidamente seguido.
Embora a direção da Caixa tenha ressaltado que as questões técnicas devem ser tratadas na mesa de negociação competente, a gestão reconheceu os riscos e os problemas relacionados ao Saúde Caixa.
A postura representa uma mudança importante diante da ideia de que a proposta apresentada anteriormente seria uma espécie de “última proposta”.
Durante a reunião, as entidades também deixaram claro que a categoria está disposta a ampliar a mobilização, rejeitar a proposta e deflagrar greve caso a Caixa não apresente uma proposta compatível com as expectativas dos trabalhadores.
Foi reafirmada a possibilidade de “greve de consciência”, com paralisação da produção, caso seja necessário pressionar o banco. O Sindicato, inclusive, ainda orienta a rejeição da proposta que será avaliada em assembleia nesta quinta-feira (03/09).
A mobilização também poderá influenciar a decisão sobre o Acordo Coletivo de Trabalho, cuja aprovação ou rejeição caberá à categoria nas assembleias.
Os deputados presentes reconheceram a relevância do Saúde Caixa e os impactos que o modelo de custeio provoca sobre os empregados.
Daniel Almeida, que participou diretamente da articulação, colocou seu mandato à disposição para contribuir politicamente na busca de uma solução.
Os parlamentares também chamaram atenção para o desgaste mental enfrentado pelos trabalhadores e para a necessidade de que a Caixa considere a saúde como parte fundamental da relação de trabalho.
Durante a reunião, o vice-presidente Alexandre Amorim também apresentou iniciativas desenvolvidas pela Caixa voltadas ao bem-estar dos empregados.
Entre as ações citadas estão salas de acolhimento com profissionais de saúde, incluindo assistentes sociais e psicólogos, com atenção também às famílias dos trabalhadores.
A Caixa informou ainda a existência de programas destinados ao tratamento de dependência química e ludopatia.
As entidades reconheceram a importância dessas iniciativas, mas reforçaram que elas não substituem a necessidade de uma solução estrutural para o Saúde Caixa.
Próximos passos
A assessora da Presidência da Caixa, Salete Cavalcante, informou que a instituição pretendia divulgar nas próximas horas a alteração do teto no site oficial.
Também foram anunciadas duas lives para esta quarta-feira, nos horários de 9h e 14h, destinadas a esclarecer os empregados sobre as mudanças. A Caixa sinalizou ainda disponibilidade para realizar uma live específica com as AGECEFs.
Mesmo diante das novas sinalizações, as entidades baianas reforçaram que a palavra final pertence aos trabalhadores.
O Sindicato dos Bancários da Bahia, a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe e a AGECEF Bahia reafirmaram o compromisso de respeitar e apoiar a decisão soberana da base nas assembleias.
Para o presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, a mobilização demonstra que a pressão dos trabalhadores e das entidades é fundamental para abrir caminhos na negociação.
Mas durante a reunião deixou claro que “do jeito que está a proposta, o índice que nós tivermos de reajuste será absorvido pelos custos com Saúde Caixa. Portanto, haverá um grande impacto financeiro para os trabalhadores, mesmo com a categoria obtendo um ganho real. E aí não tem jeito. É rejeitar a proposta e deflagrar greve”.
A presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Andréia Sabino, também defendeu a reabertura das negociações e a mobilização dos empregados. “Após uma importante articulação política para marcar uma audiência com a Caixa Econômica, saímos com o compromisso da empresa em reabrir as negociações e ouvir todas as nossas demandas. Não podemos aceitar que a Caixa não entenda que a proposta é insuficiente e penaliza os funcionários. Vamos continuar cobrando e caso ela não apresente uma solução, teremos que parar e seguir o processo de greve para exigir uma saúde Caixa que atenda de forma justa os trabalhadores”, ressaltou.
Fonte: Sindicato dos Bancários da Bahia.