A crescente disputa geopolítica pelos chamados minerais críticos colocou o Brasil no centro de uma corrida internacional pelas terras raras. Dono da segunda maior reserva mundial desses elementos estratégicos, o país vê empresas que atuam em seu território serem incorporadas ou firmarem acordos com companhias ligadas ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, levantando preocupações sobre soberania nacional, agregação de valor e controle sobre recursos naturais.
A mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu (GO) e atualmente a única produtora comercial de terras raras do Brasil, foi adquirida pela norte-americana USA Rare Earth. Além disso, a empresa firmou um contrato de fornecimento de 15 anos para 100% de sua produção com uma sociedade financiada por agências do governo dos Estados Unidos e investidores privados.
As terras raras são essenciais para diversos setores industriais, incluindo a produção de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, tecnologias médicas e sistemas de defesa. Entre os elementos extraídos está o samário, utilizado na fabricação de ímãs de alta resistência empregados tanto em aplicações civis quanto em equipamentos militares.
Recursos minerais considerados estratégicos não podem ser tratados apenas como commodities destinadas à exportação. É fundamental que o Brasil fortaleça sua capacidade industrial, desenvolva tecnologia própria e amplie o processamento interno desses minerais, garantindo empregos qualificados, desenvolvimento científico e maior valor agregado para a economia nacional.
Fonte: CTB