Em um país onde, em 137 anos de República (proclamada em 1889), o maior período de regime efetivamente democrático tem início a partir de 1985, soa como uma temeridade, para não dizer irresponsabilidade, votar e eleger um projeto claramente identificado com restrições ao Estado Democrático de Direito, o que coloca sob ameaça à liberdade de imprensa, de expressão, de organização e de manifestação.
É propósito também do candidato identificado com a extrema direita a submissão dos interesses nacionais ao plano dos Estados Unidos para a América Latina, o controle dos recursos naturais, a privatização das empresas estatais e o total apoio diplomático.
Faz parte do programa a redução de investimentos na saúde, na educação, na habitação e nos programas sociais. Para os trabalhadores, já foi anunciada uma nova reforma trabalhista e previdenciária, logicamente com o objetivo de reduzir direitos e dificultar o acesso à aposentadoria.
Como se não bastasse, até uma reforma constitucional já está à vista: uma vez que a extrema direita e a direita conquistaram maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, elas podem praticamente efetuar qualquer alteração na Constituição Cidadã de 1988. Somado à possibilidade de indicar quatro novos ministros para o Supremo Tribunal Federal, as portas estão abertas para um regime de exceção, uma nova ditadura a ser implantada a partir das eleições de 2026.
É desprezível o valor dado pelas elites nacionais às liberdades democráticas e à soberania nacional. A grande imprensa, como sempre conivente, pinta um quadro irreal, onde as verdadeiras ameaças nunca são ditas claramente ao povo que, como quase sempre, não passa de massa de manobra.
Dia 25 de outubro, ou despertamos para a liberdade, ou caminharemos sonâmbulos em direção à arbitrariedade, ao autoritarismo e à tirania.
Jorge Barbosa de Jesus
Vice-Presidente SEEB Itabuna