Pesquisa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) revela que, apesar de mulheres brancas terem maior incidência da doença na mama, as negras morrem 3,8 vezes mais. O menor acesso aos serviços de saúde, como exames de rastreamento, pode ser um dos fatores.
A coordenadora da divisão de detecção precoce do instituto explica que o dado pode estar relacionado ao acesso ao diagnóstico precoce e às terapias de tratamento. Análise feita em mulheres entre 50 e 69 anos revelou que as brancas fazem mais exames preventivos nesta faixa etária. Além disto, apesar de a ocorrência geral ser menor entre as negras, o grupo possui maior incidência do subtipo triplo-negativo, que é mais agressivo.
O levantamento também aponta fatores socioeconômicos, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e condições de vida podem contribuir para a desigualdade. O Inca destaca a importância de políticas públicas que garantam atendimento mais acessível e previnam fatores de risco, como obesidade e alcoolismo.
O câncer de mama é o tipo mais incidente da doença entre as mulheres brasileiras e cerca de quatro em cada cinco diagnósticos ocorrem a partir dos 50 anos. Segundo o estudo, aproximadamente 17% dos casos podem ser evitados com hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e aleitamento materno, além de realizar exames na frequência adequada. Os dados alertam para a necessidade de promover acesso à prevenção, diagnóstico e tratamento, especialmente em comunidades mais vulneráveis.
Fonte: SBBA