Nos próximos dias, uma série de manifestações será realizada pelo país, em defesa da democracia, para cobrar punição aos golpistas liderados por Jair Bolsonaro e militares de alta patente e para barrar propostas de anistia que vêm sendo defendidas pela extrema-direita. O principal protesto, chamado para todas as capitais, acontece no 30 de março, sob as bandeiras “Sem Anistia” e “Prisão para os Golpistas”.
Mas, antes e depois deste dia, haverá outros atos, inclusive, Marchas do Silêncio. Tais protestos, além de pedirem a responsabilização dos golpistas, lembram e homenageiam os mortos pela ditadura militar — muitos dos quais desaparecidos até hoje — e reforçam a importância da defesa da democracia nos dias atuais, marcados pela ascensão da extrema-direita e normalização dos discursos fascistas e de ódio.
As manifestações do dia 30 estão sendo organizadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, que englobam diversos movimentos sociais — entre os quais sindicais, estudantis e de juventude, feministas, antirracistas, LGBTQIA+, de sem-teto e de sem-terra.
Em Itabuna o ato acontece amanhã, ás 10h, na Praça Adami.
Novo impulso à luta por justiça
A decisão do STF da quarta-feira (26), de aceitar denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornar réus Bolsonaro e militares que planejaram a tentativa de golpe, dá um novo impulso às manifestações.
Nessa reta final que antecede os atos, o objetivo é intensificar a mobilização popular, chamando atenção para a importância de haver justiça e punição aos que tramaram contra a democracia brasileira e o Estado democrático de direito durante o governo de Bolsonaro, mostrando as consequências que um governo autoritário tem na vida de todos
Na terça-feira (25), os movimentos que fazem parte das duas frentes organizadoras dos atos fizeram reunião para acertar os últimos ajustes para viabilizar os atos.
Após o encontro, a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) comunicou que está convocando “toda a sua militância, dirigentes e bases para que se unam nas grandes mobilizações que acontecerão em diversas capitais e metrópoles do país. O objetivo é que o dia 30 de março seja uma data de grande visibilidade e força nas ruas, reafirmando o compromisso de luta em defesa da democracia e contra a impunidade de figuras que, de acordo com os manifestantes, representam uma ameaça ao Estado de Direito”.
Denúncia
Conforme a denúncia da PGR apontou, durante o mandato de Bolsonaro, houve uma série de ações por parte dele e demais golpistas para tentar descredibilizar as urnas eletrônicas, dificultar a locomoção de eleitores no pleito de 2022, entre outras, para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, de maneira que Bolsonaro e seus aliados se mantivessem no poder.
Tais atitudes levaram a atos violentos, como a formação de acampamentos golpistas; a obstrução de estradas por caminhoneiros; a colocação de bomba em caminhão perto do Aeroporto de Brasília às vésperas do Natal de 2022 e os ataques de 12 de dezembro de 2022 (data da diplomação de Lula), culminando na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Também fazia parte da trama um plano para assassinar Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Com a aceitação da denúncia, Bolsonaro e outros sete golpistas passam a responder na Justiça pelos crimes de abolição violenta do Estado democrático de direito; golpe de Estado; organização criminosa; dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O STF ainda analisará denúncias da PGR referente a outros núcleos envolvidos na tentativa de golpe.
Fonte: Vermelho