FECHAMENTO DE AGÊNCIAS É DESTAQUE NA FOLHA DE S.PAULO

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“O número de agências bancárias caiu 37% em dez anos no Brasil, indo para pouco mais de 14 mil, em meio ao avanço da tecnologia para realizar transações e à decisão dos bancos de cortar custos, muitas vezes deixando uma parcela da população sem atendimento”.

Desta forma, a jornalista Júlia Moura inicia a matéria “Brasil perde 37% das agências bancárias em dez anos”, destaque de capa do jornal Folha de S.Paulo desta segunda-feira, 23 de março.

Desde 2015, de acordo com cálculos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), mencionados na matéria, 638 municípios brasileiros ficaram sem agências bancárias, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, cerca de 9% da população brasileira. São 2.649 municípios sem agências, o equivalente a 48% do total.

O fechamento de agências, além de contribuir para a drástica redução no número de postos de trabalho bancário e sobrecarregar trabalhadores que seguem nas unidades abertas – prejudica a população e o comércio local, principalmente em regiões periféricas e pequenos municípios. Entre 2015 e 2024, a categoria bancária saiu de 504.345 mil trabalhadores para 424.021 mil, redução de 80.324 empregos.

Digitalização x Atendimento presencial

A Febraban (federação dos bancos), afirmou à Folha de S.Paulo que os bancos estão adequando sua estrutura à nova realidade do setor, no qual o consumidor prefere os canais digitais.

Entretanto – mesmo que 75% das operações bancárias em 2024 tenham ocorrido pelo celular – a própria reportagem enfatiza que muitas transações ainda são feitas presencialmente. Em 2024, 27% dos pagamentos de contas e 14% das contratações de investimento foram realizadas nos canais físicos, aponta levantamento da Deloitte em parceria com a Febraban.

Na contramão da alegada preferência pelos canais digitais, existem ainda serviços cujo volume nas agências aumentou na comparação entre 2024 e 2025. A contratação de crédito subiu 11% e a de seguros cresceu 6%.

Fintechs e cooperativas ocupam o “vácuo” dos bancos

Enquanto os bancos fecham agências e cortam postos de trabalho, cooperativas de crédito e fintechs ganham espaço. Entre 2015 e 2025, o número de pontos de atendimento de cooperativas mais que dobrou, saltando de 4.470 para 9.822, alta de 120%. O número de funcionários passou de 54.995 em 2015 para 122.196 em 2024, uma variação de 122,4%.

Já em relação às fintechs, o número de empresas autorizadas pelo Banco Central que operam neste modelo saltou de uma em 2016 para 330 em 2025. Para além das autorizadas formalmente pelo BC, segundo levantamento da A&S Partners, o número total de fintechs no Brasil saltou 77% desde 2020, alcançando mais de duas mil empresas no setor.

Fonte: bancários SP

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