A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander se reuniu, na manhã de quarta-feira (13), na sede da Contraf, em São Paulo, com a direção do banco para discutir novamente os impactos do fechamento acelerado de agências e o aumento da sobrecarga enfrentada pelos bancários.
Logo na abertura, os representantes dos trabalhadores afirmaram que a rede física já opera no limite e não comporta novos cortes. Relatos apresentados indicam que regiões antes atendidas por várias unidades passaram a contar com apenas uma agência, concentrando milhares de clientes, ampliando filas e elevando a pressão sobre os empregados.
Os representantes dos empregados reforçaram que o fechamento de agências impacta empregados e clientes gerando longas filas de espera para serviços sociais, prejudicando principalmente a população de baixa renda, idosos e populações de áreas rurais.
Fechamentos avançam rapidamente
As demonstrações financeiras do próprio banco indicam o encerramento de 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025 (-26%). No primeiro trimestre de 2026, foram fechadas 63 unidades.
Desde 2019, o Santander encerrou 2018 postos de atendimento, sendo 1460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs, segundo dados do banco.
Os sindicatos alertaram ainda para uma mudança estrutural no sistema financeiro: entre 2016 e 2025, o país perdeu 7593 agências bancárias (-34%), enquanto cooperativas de crédito ampliaram presença ao ocupar espaços deixados pelos grandes bancos.
Impactos sociais e condições de trabalho
Na avaliação da COE, a estratégia aprofunda a exclusão financeira em regiões onde o acesso digital ainda é limitado e intensifica a pressão psicológica sobre os bancários.
A representação dos trabalhadores cobrou a revisão da política de fechamento de unidades, a recomposição do quadro funcional e melhores condições de atendimento à população.
Metas, NPS e Programa Conduta Certa entram na pauta
O modelo de gestão também foi alvo de críticas. Dirigentes sindicais cobraram transparência sobre o Programa Conduta Certa. O banco informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20.
Segundo a representação dos empregados, mudanças vêm sendo implementadas sem diálogo prévio, deixando trabalhadores expostos a avaliações consideradas punitivas.
O uso do NPS também foi questionado, já que o indicador pode impactar diretamente a remuneração variável. Os sindicatos reivindicaram que o índice não seja utilizado para esse fim.
Contrato para “hipersuficientes” preocupa trabalhadores
Outro ponto discutido foi o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes”, com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior.
O banco se comprometeu a suspender a aplicação desses acordos até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.
Fonte: Contraf