O cenário de cortes e reestruturação no Bradesco ganhou mais um capítulo lamentável, desta vez com a demissão de um trabalhador na agência do município de Ibicaraí. A justificativa apresentada pelo banco segue o famigerado pretexto de “baixo desempenho”, uma retórica frequentemente utilizada pela instituição para mascarar uma política agressiva de redução de postos de trabalho. Com os recentes desligamentos em Santa Cruz da Vitória e Ibicaraí, já somam-se quatro demissões neste ano. O cenário ocorre em um momento em que a categoria bancária atua sob forte pressão psicológica e metas abusivas, intensificando a indignação dos trabalhadores diante da falta de responsabilidade social da empresa.
A onda de demissões contrasta violentamente com a robusta saúde financeira demonstrada pelo Bradesco. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a instituição financeira registrou um lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões — um impressionante crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior —, caminhando a passos largos para atingir a ambiciosa projeção anual de R$ 27,5 bilhões. Esse lucro bilionário, construído às custas do esforço diário de seus funcionários, escancara que os cortes não são motivados por necessidade econômica, mas sim por uma busca implacável pela maximização de dividendos.
Além do desamparo aos trabalhadores, a política do banco tem provocado um severo impacto regional no estado. Somente em 2025, mais de 2.466 bancários foram demitidos em todo o país, acompanhados pelo fechamento de ao menos 26 agências físicas na Bahia. Na base territorial do sindicato, municípios como Itaju do Colônia, Firmino Alves, Almadina, São José da Vitória, Arataca, Jussari, Pau Brasil e Coaraci já perderam suas unidades. O desmantelamento do atendimento físico e a redução do quadro de funcionários em Ibicaraí e região não apenas sobrecarregam os profissionais que permanecem, mas também prejudicam gravemente a população local, que fica desassistida de serviços bancários essenciais.