ONU: BRASIL TEM PELA 1ª VEZ ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO “MUITO ALTO”

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O Brasil registrou em 2024 a marca de 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), o que leva o País pela primeira vez na história ao patamar “muito alto” na escala. O dado faz parte do relatório Radar IDHM, do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), publicado nesta terça-feira (26).

Com o resultado, o país supera os 0,744 de 2012. O IDHM, que considera indicadores específicos da realidade municipal brasileira, é classificado em cinco faixas de desenvolvimento humano: muito baixo (até 0,499), baixo (de 0,500 a 0,599), médio (de 0,600 a 0,699), alto (de 0,700 a 0,799) e muito alto (0,800 ou mais).

O IDHM é composto por longevidade, educação e renda, porém é distinto do IDH global, não sendo comparáveis, pois são calculados com metodologias, indicadores e bases estatísticas diferentes.

Bolsa Família

As três dimensões de análise do Índice apresentaram crescimento. No entanto, o maior salto foi na educação que passou de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.

Na apresentação dos dados, a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do Pnud Brasil, Betina Barbosa, demonstrou que o Bolsa Família é um dos grandes responsáveis por esse feito, ao tirar as crianças das ruas e do trabalho para colocá-las nas salas de aula.

“É o programa Bolsa Família que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. Então, aqui vejo diretamente o efeito de uma política pública brasileira”, afirmou.

Essa informação contrasta frontalmente com as mentiras contadas pelo apresentador Luciano Huck na última semana sobre o programa. Segundo ele, o Bolsa Família cria dependência e não gera reais benefícios sociais. No entanto, assim como outros estudos, o relatório da Pnud demonstra em mais um aspecto o quanto a opinião do apresentador foi equivocada.

Avanços

De acordo com a agência global da ONU focada no combate à pobreza, redução das desigualdades e promoção do desenvolvimento humano sustentável, o IDHM também apresentou diminuição da distância entre negros e brancos de 14% para 9%. Nos treze anos em relação ao relatório anterior, a população negra registrou crescimento de 10,3% no período, ritmo quase duas vezes maior do que o da população branca (5,5%). Assim, o Índice foi de 0,804 em 2012 para 0,851 em 2024 entre os brancos e de 0,694 para 0,774 entre os negros (representando uma passagem de um patamar médio para alto), ainda que a diferença entre os grupos permaneça significativa.

A respeito da longevidade, que abrange a dimensão da saúde, o Brasil já marcava 0,829 (muito alto) em 2012 e ficou em 0,860 em 2024, situação propiciada pelo avanço na cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS).

Por sua vez, o crescimento em renda é mais lento, de 0,732 em 2012 para 0,760 em 2024, dentro da classificação de alto desenvolvimento.

“Pela lente do IDHM, o resultado desse relatório significa dados positivos: as capacidades básicas de saúde têm sido atendidas para a maioria da população e os indicadores de educação têm avançado em uma velocidade três vezes maior do que o observado no início da série, o que se dá sobretudo pelo avanço da população negra no país e como reflexo dos programas de renda mínima que permitem que famílias de renda mais baixa continuem tendo acesso à escolaridade”, explica Barbosa.

Estados e municípios

Considerando os estados brasileiros, 17 estão em um nível alto no IDHM e os demais, ao lado do Distrito Federal, estão no nível muito alto. Os dados revelam que as desigualdades regionais ainda persistem, e estados do Sul e Sudeste e o DF dominam entre os mais avançados, enquanto o Nordeste e Norte apresentam os índices mais modestos.

Distrito Federal — 0,866

São Paulo — 0,838

Santa Catarina — 0,833

Paraná — 0,822

Rio de Janeiro — 0,819

Rio Grande do Sul — 0,818

Goiás — 0,815

Mato Grosso — 0,812

Minas Gerais — 0,809

Espírito Santo — 0,804

Mato Grosso do Sul — 0,797

Tocantins — 0,797

Rondônia — 0,786

Roraima — 0,780

Rio Grande do Norte — 0,778

Ceará — 0,773

Pernambuco — 0,767

Amazonas — 0,767

Piauí — 0,764

Sergipe — 0,761

Paraíba — 0,760

Bahia — 0,759

Amapá — 0,759

Pará — 0,758

Acre — 0,754

Alagoas — 0,746

Maranhão — 0,745

No entanto, os maiores avanços proporcionais nos 13 anos entre os relatórios aconteceram em Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte, o que demonstra também a importância de políticas regionais e sociais.

Este avanço no Nordeste é puxado pelas regiões metropolitanas que em sete estados já estão em um patamar muito alto de desenvolvimento humano. Confira:

Natal – 0,822

Aracaju – 0,809

Teresina – 0,809

Recife – 0,806

São Luís – 0,806

Salvador – 0,803

João Pessoa – 0,803

Fonte: Vermelho

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