As últimas intromissões de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em assuntos internos do Brasil não foram bem digeridas pela população daqui. O rechaço dos brasileiros a ele saltou seis pontos percentuais em um mês, segundo pesquisa Quaest divulgada ontem (15).
De acordo com o levantamento, 45% avaliam Trump de forma negativa, ante 39% em maio; outros 27% avaliam como regular (antes, eram 33%), enquanto os que o veem positivamente ficou igual, 22%.
A pesquisa foi feita após o governo Trump anunciar a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, no final de maio, e do novo tarifaço e ataques ao Pix, no início de junho. Também ocorreu pouco depois da visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente estadunidense.
A rejeição ao estadunidense é maior entre a esquerda que se identifica como “não lulista”, estrato em que alcança 84% (frente a 66% da pesquisa anterior). No caso dos lulistas, o percentual é de 66% hoje.
Já no segmento que a Quaest classifica como “independentes”, o índice teve leve avanço, o que é tido como estabilidade: era 46% em maio e passou para 47% agora. Na ponta oposta, os menores índices de rejeição estão entre os que se dizem de direita não bolsonarista (14%) e bolsonaristas (15%) — este grupo avançou três pontos percentuais na comparação com o mês anterior.
A opinião negativa da maioria dos brasileiros também se espraia para o país norte-americano: 46% disseram ter uma opinião desfavorável aos EUA, ante 39% dos que pensam o contrário. Tais percentuais se mantiveram praticamente estáveis na comparação com maio: 45% e 40%, respectivamente. Os que não sabem ou não responderam ficaram em 15% nos dois levantamentos.
A Quaest também perguntou sobre o receio de haver intervenção ou interferência dos EUA no Brasil: 51% disseram ter medo e 40% acreditam ser exagero.
Outro dado aferido pela pesquisa foi sobre a relação que o presidente do Brasil deve ter com os EUA. A maioria, 46%, disse que deveria ser de aliado — queda de dez pontos percentuais sobre maio. Os que responderam que tal relação deveria ser independente teve leve subida, saindo de 29% no mês passado para 31% agora. Os que não sabiam/não quiseram responder foram de 6% para 14%. Já os que defendem a oposição, que eram 6%, hoje são 9%.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos e o nível de confiança é de 95%.
Fonte: Vermelho