COPOM PODE ANTECIPAR FIM DE CORTE DE JUROS E PREOCUPA SETOR PRODUTIVO
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou ontem a reunião para definir a taxa básica de juros, a Selic. Atualmente em 14,5%, o setor produtivo nacional e movimentos de trabalhadores acompanham com atenção qual rumo o colegiado pretende para os juros.
Depois de dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, havia o indicativo de que um ciclo maior de cortes tinha se iniciado, ainda que lento e distante das expectativas da sociedade. Porém, os indicadores dos últimos meses começaram a apontar para um sentido diverso do esperado, o que tem feito analistas de mercado acreditarem que são grandes as chances de que a Selic seja mantida no atual patamar. Por outro lado, ainda há os que acreditam em novo corte de 0,25 p.p., mas que encerraria este curto ciclo.
Tanto a manutenção dos juros quanto um último corte pequeno estão longe do que esperam o setor produtivo, os movimentos sociais e o movimento sindical.
Durante toda a gestão de Gabriel Galípolo como presidente do BC, os trabalhadores estiveram nas ruas para pedir a redução dos juros, uma demanda herdada ainda da gestão de Roberto Campos Neto.
No entanto, a Selic foi elevada ao longo de 2025 e mantida em 15% durante um longo período, sendo este o maior patamar desde julho de 2006. O primeiro corte só veio em março deste ano, porém, de maneira mínima, o que desagradou trabalhadores e empresários que se mantêm incisivos na pressão por juros mais adequados à realidade brasileira.
Mercado prevê aumento
O mercado financeiro elevou a expectativa para a Selic em 2026. No Boletim Focus, que reúne as perspectivas do mercado, há quatro semanas o entendimento é de que a taxa básica de juros encerraria o ano em 13,25%. Na avaliação atual, o indicativo é de que encerre em 13,75%.
Apesar de não ser a visão do BC, as projeções reunidas pressionam a decisão do Copom.
No último corte, em abril, o Comitê havia afirmado que acompanha com cautela a extensão do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços, da mesma forma que observa a inflação.
Naquela oportunidade, a diretoria do órgão indicou que o mercado já apontava para uma inflação acima da meta, em 4,9% e 4,0%, respectivamente em 2026 e 2027.
Desde então, o cenário inflacionário se intensificou. Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, a inflação oficial acumulada em 12 meses passou de 4,39% para 4,72%.
O cenário demanda atenção, pois reverte a tendência de queda vista em meses anteriores e supera o intervalo de tolerância máximo de 4,5% para a meta inflacionária.
O novo dado também já impactou na projeção reunida pelo último Focus, que elevou a perspectiva da inflação para 5,3% esse ano e para 4,1% no próximo ano — situação já agravada em comparação com os 4,9% e 4,0% citados na ata do Copom de abril.
A decisão sobre o próximo ciclo de juros será divulgada pelo Copom nesta quarta-feira (17), após as 18 horas.
Fonte: Vermelho