CHINA DESAFIA HEGEMONIA DO DÓLAR COM NOVO SISTEMA DE PAGAMENTOS DIGITAIS

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A hegemonia do dólar pode estar com os dias contados. Ao longo do último ano, diversas iniciativas começaram a surgir para contornar negociações que, invariavelmente, terminavam com pagamentos na moeda norte-americana.

Nesta semana, o jornal Financial Times publicou que a China prepara o lançamento de um programa de moeda digital que visa diminuir ainda mais a dependência comercial do dólar.

A plataforma chamada mBridge vai permitir a realização de pagamentos transfronteiriços diretos usando moedas digitais emitidas por bancos centrais e já conta com apoio da Tailândia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Ainda não há uma data oficial de lançamento, mas a reportagem indica que a ideia é oferecer uma alternativa mais sustentável do que o sistema Swift-dólar.

O sistema internacional de pagamento Swift (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunications) é o mais utilizado no mundo, exercendo supremacia sobre concorrentes.  Como o custo de operações cobrado pelo sistema é em dólar e uma esmagadora quantidade de operações também é feita na moeda, os EUA exercem forte influência no sistema. Inclusive, os norte-americanos utilizam o Swift para sancionar outras nações, retirando-as do sistema, como acontece com Rússia e Irã.

O equivalente chinês ao Swift é o Cips (Cross-Border Interbank Payment System), criado para facilitar transações internacionais em yuan (renminbi – o nome oficial da moeda chinesa).

Dessa maneira, o mBridge vem para complementar o Cips por meio de pagamentos digitais, facilitando ainda mais operações e com a oferta de taxas menores em relação a outros sistemas de pagamentos, o que deve atrair empresas de menor porte. Para a China, o Cips, e agora o mBridge, tem fundamental importância, principalmente nas relações com países sancionados pelo Ocidente, como acontece com russos e iranianos.

Assim, a nova plataforma encabeçada por Pequim visa interligar bancos centrais e bancos comerciais de todo o planeta, sob a supervisão dos primeiros, à sua plataforma digital, o que permite maior desdolarização da economia e maior rapidez sem a moeda norte-americana como intermediária.

A iniciativa também permite que o gigante asiático fortaleça relações com países parceiros e reforce sua presença global.

‘Desdolarização da economia’

Iniciativas para reduzir a dependência do dólar no comércio global envolvem diversos países, mas os maiores esforços estão entre os países do Brics.

O presidente Lula tem trabalhado ao longo dos últimos anos para que o grupo crie uma moeda para a transação entre os seus países. Em 2025, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ‘o banco dos Brics’, que tem como presidenta Dilma Rousseff, anunciou a meta de realizar 30% das operações em moedas locais até 2026.

Em paralelo, os países já avançam pela desdolarização das relações comerciais. As negociações entre Índia e Rússia já utilizam o mecanismo rupia-rublo. Entre China e Rússia, grande parte do comércio bilateral é feita por yuan e rublo.

Para completar, Brasil e China formalizaram acordo em 2023 para que as empresas dos países realizassem operações diretamente em real e yuan, sem precisar fazer conversão em dólar.

Fonte: Vermelho

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