CONTRA ATAQUES AO SISTEMA ELEITORAL, TSE DESMONTARÁ URNA AO VIVO

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Em meio a novos ataques da extrema direita à credibilidade das urnas eletrônicas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fará, a partir desta segunda-feira (3), a primeira Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação. Em uma das ações, o equipamento será desmontado ao vivo, a fim de exibir seu funcionamento e inviolabilidade. A transmissão será feita por uma série de canais de TV e internet para todo o Brasil.

A exibição acontecerá em tevês públicas e pelos canais no YouTube dos tribunais regionais eleitorais (TREs) de todas as regiões do país. Segundo o TSE, a rede de transmissão é composta por 24 parceiros confirmados, divididos entre 13 TREs e 11 emissoras de televisão. A transmissão acontece a partir das 17h30 desta segunda, diretamente do edifício-sede do TSE, em Brasília (veja link abaixo).

Durante a programação, o coordenador de Tecnologia Eleitoral da Corte, Rafael Azevedo, abrirá o hardware diante das câmeras e exibirá componentes cruciais para a segurança da urna e do pleito, como a placa-mãe, as mídias onde são carregados os programas oficiais de votação e o componente onde os votos são gravados de forma criptografada.

A partir das 18h, o evento continua exclusivamente no ambiente digital. O canal no YouTube do TSE assume a transmissão com reportagens gravadas e entradas ao vivo de correspondentes das cinco regiões do país, que vão mostrar a mobilização dos TREs no primeiro dia da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação.

Além disso, a semana contará com o lançamento da campanha “Fato ou Boato – Viralizou” para esclarecer dúvidas sobre a veracidade de conteúdos que são publicados na internet.

A mobilização será encerrada no próximo domingo (9) na Corrida pela Democracia, que será realizada em Brasília. A atividade esportiva pretende estimular a participação popular no processo eleitoral.

Combate às fake news

Um dos pilares da atuação da extrema direita mundial é a veiculação massiva de mentiras via redes sociais e o questionamento das instituições democráticas, em especial dos processos eleitorais.

No Brasil, isso não é diferente. Desde quando Aécio Neves (PSDB) colocou em dúvida, sem nenhum indício concreto, a eleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014 e em especial com Jair Bolsonaro (PL) — que lança falsas acusações desde pelo menos 2018 — as urnas (que também foram usadas em suas próprias eleições, sem nenhum questionamento) vêm sofrendo ataques falaciosos.

Em junho de 2023, o ex-presidente foi condenado à inelegibilidade por oito anos por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação devido a uma reunião com diplomatas em 2022. Na ocasião, Bolsonaro utilizou a estrutura oficial de governo e a TV Brasil para transmitir discursos mentirosos que questionavam a segurança e a integridade das urnas eletrônicas para dezenas de embaixadores estrangeiros.

O lançamento de falsas suspeitas sobre as eleições e as urnas, sem provas, tem sido uma das estratégias do bolsonarismo para deslegitimar as instituições junto a parte da população e, assim, deixar o terreno pronto para questionamentos futuros ou mesmo para ações golpistas, como também ocorreu na trama pela qual Bolsonaro e nomes do primeiro escalão foram condenados.

Nesse sentido, é importante também lembrar que o PL — partido dos Bolsonaro e que fez as maiores bancadas no Congresso, além de eleger dois governadores, em 2022 — resolveu apresentar laudo falso de uma suposta auditoria logo após o primeiro turno daquele pleito. Em novembro do mesmo ano, o partido foi condenado, pelo TSE, por litigância de má-fé e teve de pagar R$ 22,9 milhões de multa.

Mais recentemente, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência, iniciou seus ataques como forma de justificar ações futuras caso perca as eleições. Seguindo os passos do pai, em julho, num encontro que abordou as eleições deste ano, Flávio voltou a lançar dúvidas sobre as urnas, usando argumentos já desmentidos pela própria Justiça Eleitoral em outras ocasiões.

Entre outras inverdades, Flávio disse que as urnas eletrônicas brasileiras seriam da Smartmatic e que, segundo ele, um relatório da CIA mostraria o envolvimento da empresa em um plano de fraude na Venezuela em 2012.

Nota publicada no site do TSE em 2020 — quando o caso começou a circular com mais força, e atualizada neste ano — esclarece que as urnas utilizadas nas eleições brasileiras não são fornecidas pela empresa.

“São falsas as mensagens que circulam nas redes sociais segundo as quais a empresa Smartmatic fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil. Todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país”, afirma o comunicado.

Além disso, o TSE reitera que “a empresa Smartmatic não forneceu nem fornece urnas eletrônicas para as eleições brasileiras, tampouco trabalhou na programação desses aparelhos. A empresa atuou apenas no treinamento de profissionais que prestaram suporte técnico e operacional para as urnas brasileiras”.

Link de transmissão do TSE. https://www.youtube.com/watch?v=3VmjIlUPLtA

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