PREÇO DOS ALIMENTOS CAI E INFLAÇÃO DESACELERA PARA 0,07% EM JULHO

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Os preços dos alimentos voltaram a cair no Brasil em julho e contribuíram para que a inflação oficial desacelerasse pelo quarto mês consecutivo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou apenas 0,07% no mês, contra 0,16% em junho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses caiu de 4,64% para 4,44%, ficando novamente abaixo do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação. O centro da meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A taxa de julho também é a menor registrada para o mês em quatro anos. Em julho de 2022, o país havia registrado deflação de 0,68%.

A desaceleração ocorre depois de o IPCA marcar 0,88% em março, 0,67% em abril, 0,58% em maio, 0,16% em junho e, agora, 0,07% em julho.

Comida mais barata pesa no resultado

A principal contribuição para conter a inflação veio justamente de um dos grupos que mais pesam no orçamento das famílias. O grupo “alimentação e bebidas” registrou queda de 0,67% em julho, segundo mês consecutivo de redução dos preços, depois do recuo de 0,24% observado em junho.

Foi a maior queda do grupo em dois anos, desde julho de 2024, quando houve redução de 1%. Sozinha, a alimentação retirou 0,14 ponto percentual do IPCA de julho.

A redução foi ainda maior entre os alimentos consumidos dentro de casa, cujos preços recuaram 1,14%. Segundo o IBGE, o resultado está relacionado principalmente ao aumento da oferta de produtos in natura, favorecida pelas condições climáticas.

Entre os produtos que ficaram mais baratos estão alguns presentes com frequência na mesa dos brasileiros. O tomate caiu 29,09%, enquanto a batata-inglesa recuou 19,59% e a cenoura, 14,41%. O café moído ficou 2,45% mais barato.

No caso do café, a redução acumulada em 12 meses chegou a 17,2%, a maior registrada desde o início do Plano Real, em 1994.

Nem todos os produtos, contudo, ficaram mais baratos. O leite longa vida subiu 2,47% e as frutas avançaram 1,2%.

Já a alimentação fora do domicílio seguiu trajetória diferente. Os preços em bares, restaurantes e estabelecimentos semelhantes avançaram 0,55%, após alta de 0,15% em junho.

Gasolina também ajuda a segurar inflação

Os combustíveis foram outro fator importante para conter o IPCA. O conjunto ficou 1,44% mais barato em julho.

A gasolina apresentou queda de 1,37% e retirou 0,07 ponto percentual do índice geral. Foi o terceiro mês consecutivo de redução do combustível, depois das pressões provocadas anteriormente pela elevação internacional do petróleo.

Também houve redução no etanol (-2,26%), no óleo diesel (-1,22%) e no gás veicular (-0,08%).

No grupo dos transportes, porém, a queda dos combustíveis foi parcialmente compensada pelo encarecimento das passagens aéreas, que subiram 11,67% no mês.

Conta de luz impede queda maior

Se alimentos e combustíveis puxaram a inflação para baixo, a energia elétrica exerceu pressão na direção contrária.

A conta de luz residencial aumentou 3,09% em julho e acrescentou 0,13 ponto percentual ao IPCA, configurando a principal contribuição individual de alta no mês.

Segundo o IBGE, o resultado reflete reajustes tarifários em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba, além da manutenção da bandeira tarifária amarela, que acrescenta uma cobrança adicional às contas de energia.

A pressão pode diminuir em agosto. Os consumidores terão nas faturas o chamado Bônus Itaipu, mecanismo já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que devolve recursos aos consumidores e reduz temporariamente a conta de luz.

Entre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, três apresentaram redução de preços: Alimentação e bebidas (-0,67%), Vestuário (-0,66%) e Educação (-0,03%). Habitação, pressionada principalmente pela eletricidade, teve a maior variação positiva, de 0,99%.

Fonte: Vermelho

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