Trabalhar seis dias seguidos e descansar um não significa apenas ter menos tempo livre. Para milhões de trabalhadores, a escala 6×1 também reduz o espaço disponível para dormir, recuperar o corpo, cuidar da saúde, conviver com a família, praticar atividades físicas, realizar tarefas domésticas e simplesmente descansar.
A PEC 221/2019, que está em discussão no Senado e encontra grande resistência da extrema direita, prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de repouso remunerado semanalmente, sem redução salarial. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 2 de setembro e seguiu para o plenário, mas ainda não foi votado, apesar da pressão popular.
O debate ganhou também uma dimensão eleitoral. A base do governo Lula defendeu que a votação acontecesse antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Do outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), defendeu que a discussão acontecesse somente depois das eleições.
Enquanto a disputa política avança, os impactos das jornadas prolongadas sobre a saúde são documentados por organismos internacionais. Estudo conjunto da OMS (Organização Mundial da Saúde) e da OIT (Organização Internacional do Trabalho) apontou que trabalhar 55 horas ou mais por semana está associado a um risco 35% maior de AVC (Acidente Vascular Cerebral) e 17% maior de morte por doença cardíaca isquêmica, em comparação com jornadas de 35 a 40 horas semanais.
Em 2016, as duas organizações estimaram 745 mil mortes por AVC e doença cardíaca isquêmica associadas às jornadas de 55 horas ou mais.
No Brasil, o problema alcança milhões de pessoas. Segundo levantamento do Cesit/Unicamp (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), aproximadamente 21 milhões de trabalhadores cumprem jornadas superiores às 44 horas semanais previstas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Fonte: SBBA