A CATEGORIA BANCÁRIA E O SEGUNDO TURNO DA ELEIÇÃO

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O primeiro turno da eleição brasileira mostrou a distopia que a sociedade brasileira vive, com dois projetos opostos em confronto, diretamente ligados à categoria bancária e aos interesses da imensa maioria da população trabalhadora.

O candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ficou com 47,03% dos votos (56.104.503 votos), e o presidente Lula, com 45,16% (53.879.538 votos). A definição acontecerá no segundo turno, que ocorrerá no dia 25 de outubro.

O projeto de Flávio, segundo sua coordenadora do programa econômico, Daniella Marques (ex-presidente da Caixa no governo de Jair Bolsonaro), incluiu o Banco do Brasil entre as instituições que poderiam ser privatizadas. Além disso, apresenta um programa que prevê o desmonte de inúmeras políticas públicas, especialmente relacionadas aos servidores públicos, que enfrentarão, mais uma vez, assim como ocorreu entre 2017 e 2018, com o presidente Michel Temer, e durante o governo Bolsonaro, de 2019 a 2022, o arrocho salarial e a desarticulação de programas governamentais voltados ao meio ambiente, à saúde, à educação e ao trabalho. A política econômica do candidato do PL é considerada ultraneoliberal, por prever a privatização do Estado e privilegiar negócios e especulação financeira. O próprio candidato disse que pretende reformar a Constituição e repetiu o discurso feito pelo pai, Bolsonaro, há tempos: “o trabalhador tem que escolher entre direitos e o emprego, fica com um ou o outro”.

O presidente Lula, por outro lado, preservou o BB estatal, assim como se comprometeu a fortalecer políticas públicas voltadas à preservação das empresas públicas. Disse, durante a campanha eleitoral, que pretende comprar uma distribuidora de derivados de petróleo para enfrentar os cartéis que compraram a BR Distribuidora. Além disso, possui um histórico de realização de concursos e preservação de programas sociais. A capacidade da classe trabalhadora de se mobilizar, em um governo do PT, representa negociação e conquistas. Mesmo sendo um programa que ainda mantém o arcabouço fiscal, no programa de governo está prevista a manutenção das políticas sociais, e o presidente Lula tem um histórico de compromisso com os mais necessitados.

Com a aprovação da autonomia do Banco Central, em fevereiro de 2021 por Jair Bolsonaro, os bancos assumiram o controle da instituição que deveria ser a reguladora do sistema financeiro. Isso foi visto com o apoio ao Banco Master, durante a gestão de Roberto Campos Neto, e com a política de juros altos, que privilegia a especulação, impede o desenvolvimento econômico e endivida as famílias. A descoberta, em 2025, da maior fraude financeira da história, que causou um prejuízo de aproximadamente R$ 60 bilhões, mostrou quem sustenta a política de desmonte do Estado e das políticas públicas. A postura da direção da Caixa, durante a campanha salarial, que obrigou a categoria a ir à greve, foi na contramão do próprio governo federal, que tem privilegiado a negociação e o respeito à classe trabalhadora.

A categoria bancária deve participar ativamente do debate eleitoral. Os dois projetos em disputa são completamente opostos, isso sem falar da vida pregressa de cada um dos candidatos, o que é outro assunto. Defender os interesses da categoria e de toda a classe trabalhadora, a preservação dos bancos públicos e a garantia de empregos é uma batalha que independe de governo. Por isso, o voto no segundo turno tem grande importância.

Fonte: Bancários DF

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