O assédio eleitoral no ambiente de trabalho tem se tornado uma ameaça cada dia mais real nas eleições deste ano. O MPT (Ministério Público do Trabalho) registou o recorde de 1.341 casos registrados entre 1º de janeiro e 15 de outubro, sendo 522 somente na primeira quinzena deste mês. A média chega a 24 denúncias por dia, desde setembro, quando o número de casos já era quase dez vezes maior do que o total de 2022.
São Paulo lidera o ranking de casos, com 224 registros, seguido por Minas Gerais (150) e Rio de Janeiro (117). Na Bahia foram 53 casos este ano. O motivo do crescimento nos casos pode ser explicado pela intensificação da pressão política dos patrões e também pela ampliação dos canais de denúncia e de conscientização dos trabalhadores quanto aos próprios direitos.
Pesquisa da Justiça do Trabalho revela que, em 9 a cada 10 casos analisados, o assédio ocorre com apoio da direção da empresa, que utilizou meios internos de comunicação e o horário de expediente para fins políticos. Em 67% dos assédios, a pressão foi cometida através do Whatsapp, e em 61% houve ameaça de demissão ou de perda de função, ou promessa de vantagens em troca de apoio, ou seja, suborno.
O MPT criou, este ano, um canal virtual de denúncias, que podem ser feitas de forma anônima, através do link: mpt.mp.br/assedio-eleitoral. Basta informar estado e município, descrever o ocorrido e incluir os dados do agressor. Há, também, a possibilidade de inclusão de provas. Segundo o órgão, 99% dos casos denunciados em 2022 foram resolvidos com ações judiciais, acordos ou medidas extrajudiciais.
Fonte: SBBA