Não é de hoje que a motosserra está a mão de funcionários da prefeitura de Itabuna para derrubar árvores urbanas em nome do “progresso”. À despeito disso, muito se fala em reflorestamento, mas na prática, o que se vê é o corte inadvertido de árvores em nossas praças, avenidas e às margens do Rio Cachoeira, tão negligenciado quanto a pequena mata ciliar que o rodeia. Desse modo, estamos cada vez mais longe de uma cidade verde e sustentável. Devemos preservar o pouco verde que nos resta e incentivar a:
– Arborização: com intensificação de uma ampla cobertura vegetal em ruas, parques e praças, evitando as ilhas de calor.
– Infraestrutura azul e verde: com a integração de corpos d’água com áreas permeáveis.
– Mobilidade sustentável: priorizar o transporte público de qualidade e acessível, além de incentivar ao uso de bicicletas e ao cuidado e respeito com os pedestres.
– Gestão de resíduos: com foco em reciclagem e economia circular.
Nos últimos anos temos assistido à derrubada de árvores ao lado da Av. Princesa Isabel, na Av. Aziz Maron, as margens do Rio Cachoeira e recentemente na praça Celso Fontes Lima, no bairro Góes Calmon.
O pior é que, toda a supressão de árvores é executada após licenças ambientais dos órgãos responsáveis. O que não isenta tais atos de crimes ambientais, tendo em vista que árvores de até aproximadamente 100 anos, foram ao chão.
Como todos sabem, as árvores são residências de pássaros e demais animais que milagrosamente, conseguiram adaptar-se ao hostil meio urbano.
O centro do nosso questionamento não é se o projeto urbanístico é útil ou necessário, o que nós contestamos é a visão dos projetistas que partem sempre do ponto de vista do que é mais cômodo, vantajoso, proveitoso e barato, colocando a natureza sempre em último lugar.
Apesar de todo o debate acerca da importância do equilíbrio ecológico e do respeito ao meio ambiente, na hora do dito “interesse público”, toda a legislação ambiental é colocada em segundo plano.
Diante da dura realidade de degradação ambiental progressiva em Itabuna e no mundo, é cada vez mais necessária a mobilização popular, com o objetivo de exigir a manutenção da cobertura vegetal existente e ao mesmo tempo, de projetos de arborização urbana e à margem de rodovias.
Caso o cidadão eleitor não tome partido, assistiremos à liquidação das últimas árvores urbanas e das últimas reservas ambientais. Tudo em nome do desenvolvimento degradante.
Lutemos juntos para uma Itabuna mais verde e sustentável.
Autor: Jorge Barbosa de Jesus
