A revelação de que o governo Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar ataques contra o STF (Supremo Tribunal Federal) no Brasil é mais uma demonstração do tipo de submissão do país aos Estados Unidos defendida pela família Bolsonaro. O Brasil tratado como quintal de interesses estrangeiros, sem soberania, como é de costume nas elites nativas, conhecidas pelo complexo de vira-lata.
A informação, publicada originalmente pelo jornal britânico The Guardian e divulgada no Brasil pelo ICL Notícias, mostra que recursos destinados pelos Estados Unidos ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia foram redirecionados para projetos alinhados a pautas conservadoras e de direita em diferentes países. No Brasil, o subsídio, intitulado “Combate ao Lawfare e à Censura”, prevê financiamento a grupos da sociedade civil que se opõem ao que o projeto classifica como excesso de atuação judicial e censura por parte da Suprema Corte brasileira.
Segundo a apuração, a senadora democrata Jeanne Shaheen havia mantido bloqueios sobre dez repasses que somavam US$ 22 milhões, destinados a projetos no Brasil, África do Sul, Nigéria e Europa. Ainda de acordo com a reportagem, o secretário de Estado Marco Rubio assinou pessoalmente um memorando para desconsiderar os bloqueios e autorizar a liberação dos recursos. Shaheen criticou o redirecionamento, afirmando que verbas aprovadas para direitos humanos e democracia estavam sendo utilizadas para financiar organizações e programas de extrema direita.
A denúncia ganha ainda mais peso em meio às manifestações recentes de parlamentares democratas contra possíveis interferências do governo Trump nas eleições brasileiras deste. A disputa política ultrapassa, assim, as fronteiras dos Estados Unidos e chega diretamente ao Brasil. Soberania não pode ser moeda de troca, e democracia não pode ficar submetida aos interesses de governos estrangeiros ou de famílias que recorrem ao exterior quando seus projetos de poder são contrariados.
Fonte: SBBA