SAÚDE CAIXA: BANCO APRESENTA PROPOSTA QUE CHEGA A DOBRAR MENSALIDADE

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A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da CAIXA repudiou e recusou a proposta apresentada pelo banco para o custeio do Saúde Caixa, nesta quarta-feira, 5, durante a quinta rodada de negociações específicas da Campanha Nacional dos Bancários 2026.

Por unanimidade, todas as federações que compõem a mesa exigiram que a CAIXA refaça os cálculos e apresente uma nova proposta. No entendimento geral, a verdadeira preocupação do banco não é com os empregados, mas sim em apresentar uma proposta em que busca se isentar de sua responsabilidade pelo custeio do plano.

A proposta aumenta de 3,5% para 5,5% da remuneração-base a mensalidade dos titulares. O valor cobrado por dependente direto passaria de R$ 480 para R$ 870; o dependente indireto passaria de R$480,00 para R$ 930; e a mensalidade dos filhos com idade entre 24 e 27 anos subiria de R$ 800 para R$ 1.050. O limite de comprometimento da renda familiar seria dobrado, dos atuais 7% para 14%. A cobrança continuaria sendo feita em 13 parcelas anuais.

Proposta desrespeita quem constrói os resultados

Para a representação sindical, a proposta é especialmente desrespeitosa porque a CAIXA apresentou projeções de lucros crescentes para os próximos anos, mas desconsiderou que esses resultados são produzidos pelo trabalho diário dos empregados e empregadas.

Usuários já pagam cerca de 46% do plano

Os números do Relatório de Administração do Saúde Caixa mostram que a participação dos beneficiários já está muito acima dos 30% previstos no modelo histórico de custeio 70/30. Em 2025, empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46%. Isto ocorre devido ao teto de 6,5% de custeio do banco imposto pelo estatuto da CAIXA.

Adoecimento relacionado ao trabalho

Dados do próprio relatório também mostram um aumento expressivo da demanda por cuidados de saúde mental. Em 2025, a psicologia respondeu por 60,3% dos custos da linha de terapias. Foram realizados mais de 1,67 milhão de procedimentos, com crescimento de 48% no número de sessões.

Para a CEE, os números não podem ser analisados sem considerar as condições de trabalho marcadas pela redução do quadro, sobrecarga, pressão por metas e adoecimento. O Dieese ressalta que, quando a organização do trabalho contribui para o adoecimento, a empresa deve assumir sua responsabilidade tanto na prevenção quanto no financiamento dos tratamentos.

Nesse sentido, a representação sindical reivindica que a CAIXA arque integralmente com os tratamentos relacionados às doenças classificadas como B91. No contexto previdenciário, o código identifica o benefício concedido quando a lesão ou a doença possui vínculo com o trabalho.

CEE já apresentou alternativas

A CEE ressaltou que não se limita a rejeitar a proposta do banco, mas apresentou na própria minuta de reivindicações diferentes alternativas para enfrentar o déficit sem inviabilizar o plano e sem impor todo o ônus aos usuários.

A representação também cobra contratações, inclusão dos empregados admitidos após setembro de 2018 no direito ao plano com participação da CAIXA durante a aposentadoria, ampliação da rede credenciada, maior transparência e preservação do mutualismo, da solidariedade e do pacto intergeracional.

Nova proposta precisa valorizar o quadro

Ao final da reunião, a CAIXA reconheceu que a proposta não havia sido aceita e informou que voltaria a avaliar o modelo. A CEE reiterou que espera uma nova formulação, com aumento da participação do banco e respeito à capacidade de pagamento dos beneficiários.

Fonte: Bancários BH

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