A decisão da China de protocolar um pedido formal para participar das consultas abertas pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço de até 37,5% imposto pelos Estados Unidos amplia o peso político da contestação brasileira.
O movimento chinês reforça a diplomacia do país na arena internacional e evidencia como a articulação do Sul Global busca preservar referências multilaterais em meio às investidas protecionistas de Washington.
O pedido foi formalizado nesta segunda-feira (10), na mesma data em que os Estados Unidos aceitaram realizar as consultas solicitadas pelo governo brasileiro em 27 de julho. Ao solicitar sua adesão ao processo, Pequim diz ter interesse comercial substancial no caso.
A diplomacia chinesa argumenta que as medidas norte-americanas, que incluem uma sobretaxa de 12,5% justificada por alegadas falhas no combate ao trabalho forçado, impactam diretamente suas exportações e alteram as condições de concorrência no mercado dos EUA.
O governo brasileiro contesta tanto a tarifa de 25%, baseada em investigações sobre supostas práticas desleais de comércio, quanto a taxa adicional de 12,5%.
No Palácio do Planalto e no Itamaraty, o acionamento da OMC é compreendido como um gesto indispensável para marcar posição em defesa do sistema multilateral, ainda que existam limitações operacionais na entidade decorrentes do bloqueio do seu Órgão de Apelação por parte dos próprios norte-americanos desde 2019.
Fortalecimento do Sul Global
As análises se somam ao ilustrar o duplo desafio do cenário internacional: a urgência diplomática de marcar posição contundente contra o unilateralismo e, simultaneamente, o reconhecimento das limitações formais do sistema de solução de controvérsias. A presença chinesa no contencioso fortalece a solidariedade entre as nações do Sul Global diante da política tarifária da administração Trump.Ao unir o peso econômico da China à iniciativa brasileira, a contestação ganha dimensão de resistência coletiva ao protecionismo dos EUA, demonstrando que a defesa da soberania e do comércio justo permanece no centro da agenda de desenvolvimento global.
Fonte: Vermelho