SEM SINDICATO, BANCÁRIO PERDE

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Os direitos e os salários da categoria bancária não são favores dos banqueiros, muito menos resultado de meritocracia individual. São conquistas de décadas de organização, mobilização e negociação coletiva. Por trás de reajustes salariais, PLR (Participação nos Lucros e Resultados), vale-alimentação, vale-refeição e outros benefícios está a força de uma das categorias mais organizadas do país. Enfraquecer os sindicatos significa retirar dos trabalhadores o principal instrumento para enfrentar o poder econômico dos bancos.

Levantamento comparando dois cenários entre 2003 e 2026 demonstra a dimensão desta diferença. Considerando, no período, um salário médio inicial de R$ 3,3 mil, os reajustes propostos inicialmente pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), sem negociação sindical, levariam a uma remuneração de R$ 10.922,05. Com os reajustes conquistados nas campanhas salariais, o valor chegaria a R$ 15.812,21. A diferença é de R$ 4.890,16 por mês, ou aproximadamente R$ 65,2 mil por ano, levando em conta o 13º salário e o adicional de férias de um terço. O impacto pode ser ainda maior quando se consideram os benefícios, a PLR, as horas extras e os demais auxílios vinculados à remuneração.

A comparação desmonta o discurso do candidato Flávio Bolsonaro, de cada trabalhador negociar diretamente com o patrão para conquistar melhores condições. Sem representação coletiva, o bancário fica isolado diante de instituições financeiras com enorme poder econômico, sem a mesma capacidade de pressionar, recusar imposições ou construir avanços para toda a categoria. A mobilização sindical garante reajustes superiores às propostas iniciais dos bancos e ajuda a preservar direitos que a lógica do mercado, sozinha, não asseguraria.

A conjuntura política também influencia diretamente os resultados. Segundo o levantamento, o ganho real acumulado dos bancários foi de 7,55% entre 2004 e 2010, nos governos Lula 1 e 2; de 7,66% entre 2011 e 2015, nos governos Dilma; de apenas 0,82% entre 2016 e 2018, no governo Temer; e de -0,68% entre 2019 e 2022, durante o governo Bolsonaro. Para o período de 2023 a 2027, o estudo indica ganho real acumulado de 2,62%, incluindo o aumento previsto para o próximo ano. Os números reforçam que a política econômica e a correlação de forças têm consequências concretas sobre o poder de compra dos trabalhadores.

É neste cenário que a proposta política da extrema direita, representada por Flávio Bolsonaro, precisa ser confrontada. A defesa de negociações diretas entre empregados e patrões enfraquece a capacidade de organização coletiva e favorece quem já concentra o poder econômico.

Para os bancários, a escolha nas urnas também passa pela defesa de seus próprios direitos. Quem chama conquistas trabalhistas de privilégios e enfraquece os sindicatos trabalha contra os interesses da categoria. A história demonstra que, diante dos banqueiros, a força dos trabalhadores está na união, na organização sindical e na negociação coletiva.

Fonte: SBBA

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