A onda de ataques contra o Nordeste após as eleições é uma demonstração vergonhosa de preconceito e intolerância. Discordar do voto de uma população faz parte da democracia, mas transformar divergências políticas em ofensas contra milhões de pessoas é uma atitude xenofóbica, desrespeitosa e incompatível com o convívio democrático. Um levantamento da Ativaweb DataLab identificou cerca de 27 milhões de manifestações críticas ao voto nordestino nas primeiras 72 horas após o primeiro turno, incluindo mensagens que associavam a região à pobreza, à ignorância e à dependência de benefícios sociais.
É inaceitável que a escolha política de uma parcela da população seja utilizada como justificativa para atacar sua origem, sua cultura e sua dignidade. O voto é livre e tem o mesmo valor em todo o país, independentemente da região, da renda ou da escolaridade do eleitor. Reduzir o povo nordestino a estereótipos demonstra desconhecimento da diversidade brasileira e desconsidera a contribuição histórica, cultural, econômica e social do Nordeste para o desenvolvimento nacional.
Mais grave ainda é que esse tipo de discurso alimenta divisões, reforça desigualdades e tenta transformar diferenças regionais em motivo de vergonha ou exclusão. O Nordeste não precisa da aprovação de quem o discrimina para reconhecer sua importância. O debate político deve ser pautado por argumentos, não pelo ódio. Criticar um voto é um direito; humilhar um povo por sua origem é preconceito. O Brasil só poderá avançar como nação quando o respeito à diversidade e à dignidade humana estiver acima de qualquer disputa eleitoral.
Fonte: SBBA