O Copom (Comitê de Política Monetária) interrompeu nesta quarta-feira (4) o ciclo de redução da taxa básica de juros iniciado em março deste ano, mantendo a Selic nos atuais 13,75%.
A decisão do colegiado formado pelos diretores do Banco Central prolongará os efeitos negativos dos juros elevados sobre o crescimento econômico, a geração de empregos, o consumo das famílias e o endividamento de empresas.
A manutenção da Selic ocorre em meio à pressão do mercado financeiro e de setores da imprensa para que o governo federal adote medidas de ajuste fiscal centradas no corte de gastos públicos, sob a alegação de conter a inflação, que acumula alta de 4,58% em 12 meses até setembro de 2026.
Ajuste fiscal deve preservar programas sociais
Para o movimento sindical, o equilíbrio das contas públicas não pode ocorrer à custa do corte de investimentos em saúde, educação e programas sociais.
O debate sobre ajuste fiscal deve priorizar a revisão das desonerações tributárias concedidas a grandes empresas e ao agronegócio, o combate aos supersalários e a discussão sobre os recursos destinados às emendas parlamentares impositivas.
Enquanto trabalhadores e empresas enfrentam o crédito caro, grandes investidores obtêm rendimentos expressivos com aplicações financeiras e títulos públicos, sem gerar empregos ou produzir qualquer bem.
Os juros elevados encarecem empréstimos e financiamentos, reduzem o consumo e dificultam investimentos produtivos.
Também contribuem para o agravamento da inadimplência e das dificuldades financeiras enfrentadas por empresas, incluindo grandes redes varejistas.
O crédito caro desestimula o investimento produtivo, limita os ganhos de produtividade e compromete a geração de empregos e renda. Com isso, enfraquece o dinamismo da economia e restringe o poder de compra das famílias.
Fonte: Bancários SP